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UM MERECIDO TRIBUTO AO ETERNO AMIGO JOSÉ ADERVAN

UM MERECIDO TRIBUTO AO ETERNO AMIGO JOSÉ ADERVAN

Como todo o sergipano que se preza, José Adervan de Oliveira, ainda menino, teve a
oportunidade de vir ao Sul da Bahia, terra onde fincou raízes – após uma breve estada em
Alagoinhas. Ao chegar em Itabuna nos idos de 1951, num “pau-de-arara” (transporte em
caminhões), ainda com nove anos de idade, se deslumbrou com a cidade, diferente de sua
terra natal, Boquim. Foi como viver o velho e surrado ditado popular: “vim, vi e venci”.
E venceu de verdade, lutando com todo o esforço do sertanejo ao chegar nas terras do
cacau, cantada em prosa e verso pelos costumes, oportunidades de trabalho decorrentes
da região rica e que chove o ano inteiro. Não deixou por menos e agarrou a todas as
oportunidades oferecidas, trabalhando o dia todo desde menino e estudando à noite para
aprender a ser alguém na vida, como queriam seus pais.

Trabalhou, estudou, fez amigos. A bem da verdade, não dá pra precisar quantos, mas
pelas minhas contas, aos 78 anos tinha uma grande legião de amigos que ultrapassava as
fronteiras de Itabuna e se perpetuava pela grande nação grapiúna. Operário gráfico,
bancário, jornalista, radialista, economista, professor universitário, empresário da
comunicação, Adervan influenciou mais de uma geração.

Neste 3 de março – com certeza – os amigos estariam ao seu lado comemorando os 78
anos. Não poderão vê-lo fisicamente, mas festejarão seu aniversário com muita alegria,
como ele gostava. E não é pra menos. Nunca economizou em construir amizades, bastava
um bom papo, lembrança de uma boa música, política, desenvolvimento regional (afinal
era economista), uma boa e farta mesa…

Se os interlocutores eram amantes do futebol a conversa se estendia por horas a fio. Se
fosse sobre o esporte amador, o Itabuna Esporte Clube, destacava os craques, as grandes
jogadas. Se o distinto também fosse torcedor do Flamengo – como ele – não tinha hora
para acabar. Sua paixão pelo rubro-negro carioca era tão especial que não agendava
compromisso para os dias de jogos, assistidos em casa, pela televisão. Pena não poder
dispensar sua atenção ao Flamengo atual para ganhar as apostas de almoços e jantares
do botafoguense Robson Nascimento.

Pai de família exemplar, tratava sua mulher (Ivone) e as filhas (Roberta, Andréa e
Fernanda, e os netos com todo o carinho, mesmo tratamento que dispensava aos irmãos e
parentes. Herdou essa tradição dos antepassados sergipanos, que formavam uma grande
família não importando o grau de parentesco e sim a estima e consideração trocada entre
eles.

Apesar de sua tranquilidade (para alguns, mansidão), Adervan era um homem
determinado e se lembrava com orgulho das vitórias colecionadas desde menino, com as
conquistas na área da educação formal e familiar, além da profissão. Sabia liderar sem
impor e demonstrou essa virtude ao se eleger presidente da União dos Estudantes
Secundaristas de Itabuna (Uesi), tornando-a uma entidade viva, efervescente.

Conquistou o sonhado emprego no Banco do Brasil, onde se aposentou, mas não
conseguia “desgrudar” da comunicação, onde começou se manifestar por meio do
esporte, outra paixão. Escreveu para jornais, criou revistas, fundou – junto com o colega
Ramiro Aquino – o jornal Agora, transformando-a numa instituição regional, onde mais
serviu do que foi servido.

De sua tribuna, Adervan dedilhava a máquina de escrever e, posteriormente, o notebook,
na elaboração da Coluna Livre, na qual defendia os interesses econômicos, políticos e
sociais da chamada Nação Grapiúna. Comprou brigas homéricas com poderosos e
aproveitadores, sem a mínima preocupação com os possíveis resultados. A defesa da
região era só o que importava.

Para muitos, Adervan seria um dos “poderosos” da imprensa, título que pouco lhe
importava, acostumado que era em defender ideais, daí o conceito positivo do jornal
Agora na sociedade regional. Candidato a prefeito de Itabuna, não utilizou o Agora como
boletim ou panfleto de campanha, pois os espaços eram divididos entre os candidatos que
produzissem mais fatos e ações. Nem tocava nesse assunto ao abrir o Agora e não
encontrar uma só nota de sua campanha, precária em relação aos recursos financeiros.
Colecionava amigos, às vezes não importando a correspondência e recebia a todos como o
grande anfitrião que sempre foi, em sua casa ou nas noites de sexta-feira, quando
transformava seu escritório num dos ambientes mais aconchegantes. Por ali desfilavam
políticos das mais diversas patentes, jornalistas dos mais diferentes veículos, líderes
comunitários, funcionários e mais quem chegasse.

Como bom anfitrião, na noite de quinta-feira incumbia o repórter fotográfico Waldyr
Gomes de providenciar os melhores cortes bovinos – dois pelos – para o dia seguinte. Um
olho na churrasqueira e outro na máquina, Waldyr dava conta dos dois recados com
maestria, providenciando, ainda, cerveja bem gelada. Já a boa cachaça era parte do seu
interminável e generoso estoque.

Se José Adervan continua vivo na lembrança dos milhares de amigos que construiu ao
longo dos anos é porque soube conquistá-los e conservá-los ao lado do peito, desde os
tempos de menino. Do mesmo modo em que vibrava com as grandes manchetes do
Agora, demonstrava sua satisfação em ter a casa cheia ou pelos feitos memoráveis ao
juntar esforços para transformar a Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB de
Itabuna) no maior clube da cidade, onde se apresentavam seus grandes ídolos musicais.
Difícil mesmo é não conseguir verter sem repetições um texto com passagens de José
Adervan de Oliveira, merecedor de um grande livro para contar parte de sua história, com
a finalidade de mostrar a atual e próximas gerações a história de um homem que
desempenhou com galhardia sua missão neste planeta terra. Enquanto isso, faz bem
lembrar as boas histórias em tivemos o privilégio de fazer parte.

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Walmir Rosário (texto), Waldyr Gomes e Robson Nascimentos (fotos)
Até sempre!

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