Seminário do IABsp discute ações e alternativas técnicas para emergência climática e cidades
Foi encerrado em Sao Paulo, o II Seminário Emergência Climática e Cidades, promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IABsp), que reuniu arquitetos, urbanistas, cientistas sociais, sanitaristas, ambientalistas, pesquisadores e representantes do governo com foco nos problemas de um país com 203 milhões de habitantes, dos quais 84% vivem em áreas urbanas, que enfrentam problemas com mudanças climáticas. O evento realizado em 28 e 29 de maio, no IABsp, com entrada gratuita e transmissão ao vivo pelo Youtube.
O ciclo de debates foi iniciado sob a ótica de um questionamento fundamental: pode a cidade deixar de ser a antítese da natureza? Exemplos da história, da sabedoria dos povos originários, bem como de iniciativas governamentais e do terceiro setor fram debatidas, em cruzamentos de cosmovisões, com uma abordagem decolonial e um olhar aberto às experiências comunitárias para subverter a cidade do consumo sem limites de solo e recursos.
Um outro questionamento ficou sobre a necessidade de investimentos sustentáveis e críticas à espetacuilarizaão da COP30, com discussões sobre práticas emancipadoras, conectando saberes ancestrais com tecnologias contemporâneas de enfrentamento à crise climática. A mesa foi composta por: Jerá Guarani – Líder indígena e ativista da etnia Guarani Mbya.;Sueli Furlan, professora doutora do Departamento de Geografia da USP; Kimberly Silva, dretora regional da Amazônia da Palmares Laboratório-Ação, tendo como ,oderador: Leandro Fontan, Diretor de Relações Institucionais e Parcerias do IABsp e membro do GT Clima e Cidade. Já a relatoria ficou com Cristiane de Avila Amaral, Integrante do GT Clima e Cidade do IABsp e Maiara Enes Appugliese, Integrante do GT Clima e Cidade do IABsp
O segundo painel discutiiu o cenário de emergência climática, na expectativa que o estado assuma um dos principais papéis na adaptação dos assentamentos humanos. A percepção da necessidade de ação imediata já se difundiu nas esferas federais, municipais e estaduais, que muitas vezes nao trabalham de forma integrada na implementação de ações. Na agenda, foram discutidas com representantes de agências e secretarias ligadas às políticas públicas climáticas, do levantamento de dados e mapeamento de risco ao planejamento e aplicação de políticas públicas, para enfrentar o desafio da adaptação das cidades de forma que também sejam enfrentados o racismo ambiental e as outras desigualdades que permeiam historicamente a sociedade brasileira.
A mesa foi composta por: Maurício Guerra, diretor de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática; Pedro Henrique Torres, orofessor na UNESP Litoral Paulista; Ester Carro, presidente do Instituto Fazendinhando. Atuou como moderadora: Hannah Arcuschin Machado – Integrante do GT Clima e Cidade do IABsp e coordenadora-adjunta e pesquisadora principal do Programa Cidades +2ºC, do Centro de Estudos das Cidades do Laboratório Arq.Futuro., com relatoria: de Julia Reis – Integrante do GT Clima e Cidade do IABsp e Taiara Cifuentes, Integrante do GT Clima e Cidade do IABsp
O terceirto painel, realizado hoje teve como foco entender o meio urbano enquanto parte de um ecossistema que tece nossas relações com o meio natural e também a percepção dos corpos diversos (pois vindos de diversos contextos sociais e culturais) também são parte desse ecossistema em crise. A cidade cumpre um papel fundamental na manutenção de nosso bem-estar, o que passa por questões como saneamento básico, alimentação, habitat e prevenção de doenças, daí a necessidade de explorar os desafios impostos por ondas de calor, chuvas torrenciais, alagamentos, geadas e outros eventos climáticos extremos, para entender como melhor adaptar nossas cidades para atuarem como infraestruturas de preservação da saúde pública, através da prevenção de problemas e redução do seu impacto sobre as pessoas.
A mesa foi integrada por Gabriela Di Giulio, professora associada do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP, juntamente com Yamila Goldfarb. presidenta da ABRA (Associação Brasileira de Reforma Agrária), além de Everton Pereira da Silva, coordenador do Eixo de Direitos Urbanos e Socioambientais da Redes da Maré e Renata Gracie, coordenadora do Laboratório de Informações em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica-ICICT da Fiocruz. Como moderador atuou Leonardo Musumeci, integrante do GT Clima e Cidade do IABsp e diretor executivo adjunto do IABsp, cabendo a relatoria: Taiara Cifuentes, ntegrante do GT Clima e Cidade do IABsp e Lara Torres, integrante do GT Clima e Cidade do IABsp, que é itabunense.
O seminário foi encerrado com o debate sobre o financiamento climático, que é o tema central da COP30, a ser realizada este ano, em Belém do Pará. Assim como a adaptação de países do Sul Global nos impõe um enorme desafio de captação de recursos, a adaptação climática urbana expõe as desigualdades de capacidades e demandas entre as cidades brasileiras. Adaptação não é barata, e exigirá investimentos, em muitos casos, maiores que orçamento público municipal, cujos recursos sao limitados.
Na pauta dos debates o papel dos bancos de financiamento, do terceiro setor e da esfera federal nessa mesa de encerramento do seminário. Também foi discutido o entendimento do papel dos projetos e dos arquitetos e urbanistas nas políticas públicas de planejamento, na captação de recursos, bem como nas formas de viabilização do orçamento participativo para a adaptação climática urbana.
A mesa foi composta por Roberto Kishinami, especialista sênior no Instituto Clima e Sociedade, é físico formado pela USP; Alícia Lerner, senior program associate na Climate Policy Initiative, onde lidera a implementação do hub brasileiro da CCFLA (Cities Climate Finance Leadership Alliance), tendo como moderador Élcio Batista, Integrante do GT Clima e Cidade do IABsp e coordenador do Programa Cidade +2 Graus no Insper, com foco em adaptação e risco climático. Na relatoria: Luiz Florence, Integrante do GT Clima e Cidade do IABsp e Hannah Arcuschin Machado, integrante do GT Clima e Cidade do IABsp.



