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SE FOSSE EM SUCUPIRA…MAS É EM…

SE FOSSE EM SUCUPIRA…MAS É EM…

O dramaturgo baiano Dias Gomes, autor de sucesso, em 1973 criou a novela O Bem
Amado em que retratava uma cidade do interior baiano chamada Sucupira, administrada
pelo prefeito Odorico Paraguaçu, representado por Paulo Gracindo. Uma de suas
promessas era inaugurar o cemitério municipal, cujo festejo fica a cada dia mais distante
por falta de um cadáver.
Mas o prefeito Odorico Paraguaçu não se entregava e tentou – por todos os meios
legítimos ou não – até mesmo importar um defunto de uma cidade vizinha, o que não
conseguia, para o seu desespero e dos aliados. E Odorico ainda hoje faz escola entre seus
colegas prefeitos pelo mundo afora, com mais intensidade aqui por essas bandas do Sul
da Bahia.
Nunca houve neste Brasil varonil uma obra tão atual nesses tempos de pandemia do que
O Bem Amado, tão levada a sério pelos gestores de municípios tantos. Se antes bastaria
ler as decisões de julgamento das contas dos prefeitos pelos conselheiros do Tribunal de
Contas dos Municípios, o TCM, hoje basta lermos ou ouvirmos uma notícia sobre os
mortos creditados à terrivel Covid-19.
Pelo que ouvi dizer, a cada resultado positivo de infectado pela Covid-19 os serviços de
saúde dos municípios fazem jus a um fausto repasse do Governo Federal de fazer inveja a
qualquer mortal. Se morto for, as burras do governo se escancaram e as transferências
bancárias são mais volumosas, dignas de comemorações internas com promessas de mais
investimentos aos serviços de saúde, esquecidas tão logo se mude a manchete.
Que eu saiba, esse vírus virou o Brasil de pernas por ar, ante os poderes a ele conferidos
por nossas inteligentes autoridades. Exigente e arrogante como só ele, o tal do Corona
exigiu, de papel passado, a exclusividade nas mortes Brasil afora, e assim foi feito. Basta
dar uma voltinha pelas unidades de saúde da família ou das unidades de pronto
atendimento, que atende pelo pomposo nome de UPA, e constatar todas vazias.
De repente, como num passe de mágica, passamos a contabilizar números de países do
primeiro mundo, erradicando doenças como tuberculose, leishmaniose, asma, diabetes,
todos os tipos de câncer. De uma tacada só conseguimos por no chinelo a hipertensão,
normalizamos em níveis civilizados o colesterol (só o ruim). Agora, osteoporose,
depressão, Alzheimer e Parkinson só poderão ser vistos nos livros de história do Brasil.
Pelo que andei sabendo numa roda de conversas ali na praça, o tal do corona já está com
seus dias de glória contados, pois a China teria se desentendido com ele e estaria
nomeando outro em seu lugar. Por enquanto, os eleitos seriam os suínos, mas alguns
desobedientes poderiam infectar os humanos, principalmente os gostam de comer carne
de porco.
Como não sou adepto a fake news, alerto que a notícia ainda não é oficial, pois não saiu
nenhum comunicado abalizado da Organização Mundial de Saúde, a OMS, com a
finalidade de proteger nossa população. Por enquanto, vou me protegendo como Deus

quiser, pois se já estou atravessando incólume essa pandemia não quero e nem devo me
arriscar na outra.
Mas voltando aos Odorico Paraguaçu da vida, nunca vi nada parecido e soube que já
existem alguns torcendo pela praga dos gafanhotos como reforço das burras municipais na
beirada da campanha, se é que haverá de ter. Se antes Ricardo III bradava “meu reino por
um cavalo”, nossos cuidadosos alcaides clamam por um defunto para enriquecer meu
reino.
E não é por menos. Conheço um deles que ao primeiro paciente acamado das vias
respiratórias clamou os céus e terra pelo macabro troféu, repreendido educadamente pela
família. Resultado, está vivo até hoje. Não satisfeito, ao ver um seu adversário na urnas
partir para além, decretou morte pela Covid-19, apesar de dois testes rápidos acusarem
negativo.
Ânsia tanta, que gravou áudio decretando a doença, recomendou lacrar o corpo numa
urna funerária e sepultá-lo imediatamente antes que seus liderados pudessem
homenageá-lo na última despedida. Acuado e em delírio viu seus sonhados castelos
ruírem, seus votos sumirem, os recursos escassearem. Cabisbaixo, tem gente que jura que
o viram gritando: “Uma Covid para meu reino”, mas acredito que tenha sido uma visagem
assombrando na noite de lua cheia.

Por Walmir Rosário/Radialista, jornalista e advogado

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