“Nada existe de grandioso sem paixão”. A frase, atribuída ao filósofo Hegel, pode resumir o sentimento exibido no rosto dos profissionais que atuam na Rádio Difusora Sul da Bahia. Considerada líder de audiência em Itabuna e região, a emissora chegou a 62 anos e foi tema de sessão especial na Câmara de Vereadores, na noite de quarta-feira (20).
Proposto pelo primeiro-secretário da Casa, Israel Cardoso (Agir), o ato teve à mesa o também edil Ronaldo Geraldo (PL) e boa parte do quadro de radialistas que soltam a voz naquele veículo. “É importante o reconhecimento a essa rádio que tem uma história na cidade; são 62 anos levando informação, cultura e, principalmente, informação com credibilidade”.
Os dois edis pontuaram sobre a credibilidade e respeito conquistados pelos profissionais ali atuantes. “Essa casa não poderia deixar de homenagear a Rádio Difusora pelo tempo de prestação de serviço a Itabuna; é motivo de orgulho estarmos aqui celebrando essa data tão significativa”, completou o autor.
Da mesma forma, Ronaldão mencionou o compromisso social dos radialistas daquele canal, a exemplo do Orlando Cardoso (um baluarte do rádio itabunense) e Cacá Ferreira, junto aos cerca de 15 profissionais que fazem daquelas “ondas” uma missão diária. Entre os radialistas presentes, o também ex-vereador Nadson Monteiro.
Trabalho de todos
Dono de uma voz grave e que inspira seriedade, Nadson comentou sobre o quão aberta à tecnologia é a equipe da Difusora. Mencionou o fato de a maioria ter trabalhado de casa (o chamado home office) na pandemia. E mais: citou a união ao assumirem a gestão da rádio, onde cinco profissionais estão à frente.
“Era um plano do proprietário da emissora, o [ex-prefeito] Fernando Gomes: fazer uma cooperativa, passar a rádio pros funcionários, pra equilibrar questões trabalhistas. Vendeu a rádio pra um cidadão e depois houve um problema e ele quis devolver. (…) Mas, graças a Deus, os profissionais que trabalham fazem a sua parte, todo mundo trabalha”, relatou.
Ainda exaltando o clima de união e abraço à tecnologia, o programador Iran Roberto destacou o fato de o aplicativo da Difusora já ter superado a marca de 50 mil downloads. “A segunda colocada chega a cinco mil. Nossa rádio é ouvida em Portugal, nos Estados Unidos…”, destacou.
“Hoje bem melhor”
O radialista Paulo Leonardo, um dos integrantes da cooperativa que mantém a Difusora no ar, explanou sobre a fundação, em 1960, pelo ex-deputado Paulo Nunes. Antes da fala, pediu um minuto de silêncio em reverência a colegas falecidos, como Duda Polirodas, Jota Silva e Luiz Carlos Barroso.
Emocionado, lembrou o fato de ter sido ali o seu primeiro emprego e pontuou sobre a entrega dos profissionais ao abrirem mão das questões pessoais quando estão ao microfone. “Outro dia, fiz uma campanha para doar três botijões. Quando cheguei em casa, vi que o meu botijão tinha acabado. Essa é realidade do radialista, estamos aqui por amor! Quem trabalha certo dá certo e as pessoas confiam”, definiu.
Ele completou lembrando a disponibilidade absoluta do grupo: “Não deixamos em nenhum momento a rádio cair, os parceiros abraçaram a causa e hoje estamos bem melhor. Não tem mais assombração de chover e a transmissão cair; estamos nessa luta pela fidelidade do ouvinte”, enfatizou.
Na mesma linha, o colega Antônio Carlos (outra voz de barítono) reconheceu que é uma missão estar ao microfone, ser voz da sociedade, estar atento às questões que a afligem. Para isso, muitas vezes, abrem mão das questões particulares do cotidiano, a exemplo do alto preço da gasolina – que impacta, sobretudo, o “pão nosso de cada dia”.

Companhia diária
Lá também estavam vozes que no passado fizeram parte da equipe. Veemente, Val Cabral expôs sobre o mágico papel do radialista, inclusive no plano emocional das ouvintes. “O rádio é companheiro das pessoas, é acalentador, faz sonhar”, elaborou, citando um episódio em que foi evitado um suicídio com a influência de um comunicador.