QUERO 365 NATAIS POR ANO
Por Walmir Rosário*
Sou fascinado pelo Natal, sua beleza plástica, as formações de presépios (bem
escassas atualmente), o colorido das roupas, as músicas que abrem nossos
espíritos e que nos deixa transbordando de alegria. Mais, ainda, pela
transformação das pessoas, notadamente aquelas que transpiram bondade,
alegria, crença na salvação da humanidade.
Neste período do ano irradiamos de felicidade com a presença dos motivos
natalinos nas pessoas do Deus Menino, nascido numa manjedoura, tendo ao
seu lado as figuras de Maria, sua Mãe, e São José, o pai humano. Pelo aspecto
local, como não poderia deixar de ser, a presença de animais (bois, vacas,
bezerros, carneiros, etc.).
É uma representação bem singela para um Deus que se fez carne e veio habitar
entre nós, o que deveria ser comemorado com muita festa, não fosse ser
nomeado o Rei dos Judeus. Belém deveria estar em êxtase! Mas não, o seu
reino era o do Céu, não o da terra, cercado de suntuosidade e riquezas dos
componentes da Corte.
Nasce o herdeiro do Rei Davi numa manjedoura, sem as pompas devidas e o
conhecimento dos judeus, mas a história nos mostra que três Reis Magos –
Melchior, Gaspar e Baltazar – vêm de longe para homenagear e adorar o Deus
Menino e presenteá-lo com ouro, incenso e mirra. Guiaram-se na viagem pela
estrela do oriente, a estrela de Belém.
E os Reis Magos vão buscar notícias do Deus Menino, o Rei dos Judeus,
justamente com o Rei Herodes, que passou a temer a perda do seu status e
poder. De forma dissimulada, solicitou aos Reis Magos que assim o
encontrassem, passassem a informações para que ele também pudesse ir
adorar o Rei recém-nascido.
Não encontrando Jesus, que por orientação de um anjo em sonho a São José
fugiram para o Egito. Temendo pela perda do poder real, Herodes manda matar
todas as crianças nascidas recentemente em Belém. Passado o perigo, a família
de Jesus retornar a Israel, indo morar em Nazaré, conforme nova orientação de
um anjo em sonho a São José.
Até hoje não sabemos ao certo de onde vieram os três Reis Magos, se do
oriente (mais consistente), se do continente europeu, se do africano. O que
conhecemos são os presentes que trouxeram para o Deus Menino. Ouro,
Incenso e Mirra, que representam o poder real do Rei dos Judeus; a divindade
de Jesus Cristo; e o remédio para os males do corpo sofrido por Jesus e
ressurreição do nosso Salvador.
Acredito que a representação natalina de presentear seja mais que justa e que
entre os cristãos e os povos que professam outras religiões a bondade possa
durar o ano inteiro e não apenas um dia. Não quero condenar a forma profana
de comemoração, a comercial, desde que acompanhadas dos mais puros
sentimentos, como os que motivaram os Reis Magos.
Se no Natal somos inundados por cartões com mensagens positivas e
incentivadoras, sempre voltadas para a esperança, e os sentimentos religiosos
geralmente estendidos ao Ano Novo. Esperamos que possamos fechar tudo de
ruim do ano que passou e que possamos renovar nossos corações com o ano
que se anuncia, pedindo muita paz ao Salvador.
Um Natal por ano é muito pouco para uma humanidade que caminha a passos
largos para o materialismo, a falta de atenção ao próximo, à brutalidade, hoje
tão comum entre os seres ditos racionais. Peço que possamos nos guiar pelo
sentimento espiritual e assim possamos nos irmanar, consagrando ao Senhor
tudo o que fazemos para que nossos planos sejam bem-sucedidos.

*Radialista, jornalista e advogado.


