PIEDADE SÃO JOÃO
Aqui, preso!
Entre quatro paredes
Neste lugar vazio e frio
Desta zona urbana da frieza
Da cidade grande
“esperando você a noite inteira”…
Depois de anos…
E voce não veio!
Finquei a faca no tronco da bananeira…
Sinto, o São João tão diferente!
Sem fogeira de labaredas
De madeiras verdes da mata
Extraídas pelo meu pai…
No instalar do amarelão do fogo…
dos fogos… balão subindo!
Confundindo com o cheiro e aroma
Do bolo de aimpim ou de milho verde…
No forno à lenha…
Arte de minha vó…
Não se faz mais São João como antigamente…
Não tem mais fogueira queimando… iluminando a noite de lua…
De estrelas…
Faltam dignidade, respeito e alegrias..
Sucumbidos no preconceito…
De todos divididos entre muros
Presos, trancados em casa…
As crianças não correm mais nos campos
Soltando traques ou cobrinhas… chuvinha!
Pobreza na alma, no espírito e na mesa…
O poeta, triste chora…
E, com lagrimas nos olhos
Sem reflexo, de fogos, ou fogueiras…
Neste ambiente anormal e vazio…
Sem beleza, sem bandeirolas…
No terreiro árvore, dando milho, tangerinas ou laranjas; maracujás…
Roga ao “Profeta Deus”, esperança…
Chora um São João sem magia
De improviso, sem espaços naturais…
Porém artificiais!
De musicas sem nexo!
Sem “A asa branca!”…
Qu arrastas-pés!
Faltam alegrias, amor e fé!
Das noites de estrelas
Abençoadas pelos Anjos da Luz.
Quanta saudade!
Dos festejos juninos..
Do breve passado adorado
De farturas, licores e sabores…
joselito dos Reis


