Nos últimos 30 anos estive envolvidos na política de Itabuna. Já fui candidato a vereador, vice-prefeito e prefeito,
, uma experiência muito importante na minha trajetória existencial. Aqui, irei destacar o que acredito sobre política. Primeiro, o voto correto, por definição, exige que os eleitores estejam minimamente bem informados sobre as ações dos governantes e dos oponentes e, também aptos para reconhecer e assimilar os próprios valores e interesses políticos. Sempre votei em Ubaldo Dantas, Waldir Pires e Renato Costa, assim, sempre votei em quem acreditava . O correto liga-se intimamente com a informação, de maneira que o processo informativo se torna fundamental para a qualidade da escolha eleitoral.
Essa colocação exige uma análise acerca dos canais de informação e, mais especificamente, como esse processo informativo afeta as decisões de qualidade; nesse caso, o voto correto. A comunicação política é dominada por dois tipos de canais informativos: a mídia tradicional, incluindo a internet, e as redes interpessoais – amigos, familiares, vizinhos e até desconhecidos. Além de colocar meu nome à disposição dos eleitores e eleitoras já concorri a 6 eleições, e percebi que somente as redes interpessoais serão analisadas. A ideia por trás das redes interpessoais é que existe uma mediação entre os veículos de massa e os cidadãos, desempenhada por membros da comunidade que exercem o papel de líderes de opinião, cujo modelo é chamado de two-step-flow of communication (Katz, 1957; Katz e Lazarsfeld, 1995; Lazarsfeld, Berelson e Gaudet, 1948).
Os indivíduos, no entanto, estão inseridos em contextos sociais e políticos que determinam a probabilidade das interações sociais e, consequentemente, o fluxo informacional. O contexto compreende uma composição social que muitas vezes se refere a um espaço geográfico, como bairro, clube e igreja (Putnam, 1966; Huckfeldt e Sprague, 1995). O contexto pode se referir também à estrutura institucional ou organização política (Lupia e McCubbins, 1998).
Sou um político que me preparei para os cargos ora pleiteados: Quando candidato a vereador em 1996, com 27 anos e, em 2012 li a Lei Orgânica do Município de Itabuna e também quando fui candidato a vice-prefeito e prefeito de Itabuna. Quando fui candidato a deputado estadual li a Constituição do Estado da Bahia. Quando fui candidato ao Senador li parte da Constituição Federal, de quanto as competências do Senado Federal. Aprendi que abordar apenas o contexto social, não credencia um candidato a exercer um mandato coerente. Cabe aqui enfatizar que existem diferenças conceituais e operacionais entre a rede e o contexto social, embora a literatura, algumas vezes, coloque-as em sobreposição.
O contexto social é exógeno ao indivíduo, isto é, está além do alcance do controle individual, restringindo ou ampliando as interações individuais. Já a rede social corresponde à relação entre os indivíduos e as suas próprias escolhas. Os cidadãos exercem um poder discricionário sobre a rede de contatos estabelecida pelas várias configurações sociais. Esse é o enfrentamento que sempre pautei minhas escolhas políticas. Assim, coloca-se a questão: as interações individuais são instrumentos que facilitam o “voto correto” do eleitor ou, ao contrário, criam empecilhos e obstáculos para atingir esse fim? Já que informação é importante para o voto correto e redes sociais são mecanismos de disseminação de informações, mesmo que contaminadas pelas preferências daqueles que compõem as redes, cabe investigar como as interações individuais afetam as escolhas individuais.
Infelizmente, tivemos nossa candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral devido a falta de responsabilidade de um dirigente municipal do PSOL -Itabuna onde era de sua responsabilidade inserir no DRAP as informações dos candidatos. A nossa Chapa Coletiva Itabuna Pela Educação estava pautada em dois eixos: por um lado, investigar se os itabunenses agem corretamente na hora de votar, apesar do sistema partidário fragmentado e da representação proporcional de lista aberta, os quais incentivam a personalização do voto (Ames, 1995, 2003; Mainwaring, 1991); por outro lado, o interesse é conhecer o impacto da rede e do contexto social sobre o voto correto. O argumento que defendo aqui é que, em Itabuna em razão da baixa identidade partidária, do sistema multipartidário e das características culturais, o voto correto existe por meio das interações individuais. Existe uma lógica social para o voto correto, portanto.
Esses eixos centrais desdobram-se em objetivos específicos que consistem em testar os efeitos dos distintos atributos (conflito e diversidade) de rede e contexto social sobre o voto correto. Essa discussão será aprofundada na seção teórica, “Redes interpessoais”. Com essa proposta teórica, cuja organização se dá entre as teorias de rede, contexto social e voto correto, pretende-se para o caso de Itabuna, de um lado, introduzir a discussão do voto correto sob o prisma da qualidade democrática e, de outro lado, conciliar explicações para o comportamento eleitoral baseadas em fatores estruturais e individuais.
Os resultados sugerem uma lógica social para o voto correto na eleição municipal em 2024, pelo menos para a cidade de Itabuna. Entendo que eu Professor Max, não posso generalizar meus posicionamentos para outras cidades, por não se tratar de uma vivência nossa com outros municípios. Há uma limitação no que diz respeito à validade externa. Contudo, meus anos de experiências políticas em Itabuna me dá a oportunidade de capturar os efeitos de rede e contexto social de forma mais direta, pois o convivo que tenho com pessoas e signos representativos de Itabuna me faz pensar no futuro de nossa cidade. Portanto, uso aqui este espaço para pedir a você que faça a escolha certa na hora de votar em pessoas que irão coordenar os destinos de nossa cidade.
Até breve!
Professor Max


