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MONTEPIO DOS ARTISTAS DE ITABUNA REALIZA SONHOS

MONTEPIO DOS ARTISTAS DE ITABUNA REALIZA SONHOS

Por Walmir Rosário*
Atualmente pouquíssimas instituições beneficentes conseguem sobreviver
prestando serviços aos seus associados e à comunidade em geral. Em Itabuna,
uma delas, a Sociedade Montepio dos Artistas de Itabuna, caminha em sentido
contrário e pretende comemorar seus 107 anos de fundação em 1º de
novembro de 2026 em perfeita sintonia com as propostas do seu Estatuto.
As dificuldades são enormes, ressalta o presidente da Assembleia Geral da
Entidade, José Vanderley Borges de Sousa (Vando), mas, apesar dos percalços,
estamos conseguindo promover uma reestruturação. Para o presidente, com as
mudanças nas áreas da assistência e da previdência, muitas das atribuições
beneficentes do Montepio perderam espaço, e com isso recursos para atuação.
Como uma das atribuições do Montepio é manter a Filarmônica Euterpe
Itabunense, a direção da Sociedade envida esforços para formar novos músicos
entre os jovens e mantê-la viva e atuante. Criada em 1925, fez sua primeira
tocata por ocasião da comemoração da Independência do Brasil, no dia 7 de
Setembro daquele ano, tendo como maestro o professor Rosemiro Pereira.
O ensino da música aos artistas e operários se tornou uma tradição do
Montepio, por meio da Filarmônica Euterpe Itabunense, que se rivalizava com
outras coirmãs pela distinção dos fardamentos e qualidade dos músicos e
repertório. No calendário das apresentações, o dia 19 de março (Padroeiro de
Itabuna, São José), 1º de Maio (Dia do Trabalhador), 28 de Julho (Dia da
Cidade), 7 de Setembro, dentre outras ocasiões festivas.
Pela Filarmônica Euterpe Itabunense passaram regentes e músicos
conceituados. Dentre os mais recentes, o maestro Zózimo, o sargento PM e
maestro Carlos, o maestro Heleno e Welington Quintas, este falecido
recentemente. Outro destaque é o professor Adilson Alves dos Santos
(Dilsinho), representante da Ordem dos Músicos do Brasil em Itabuna e região.
E a formação dos novos músicos continua sendo das atividades prioritárias da
diretoria do Montepio. Atualmente quem comanda a educação musical dos
futuros músicos é o maestro Arnaldo Dias, profissional com mais de 52 anos de
experiência profissional em instrumentos e arranjos musicais de filarmônicas,
bandas e orquestras.
O maestro Arnaldo Dias, com passagem na extinta Filarmônica Carlos Gomes
(Itabuna), na Banda Los Tropicanos; na Banda Solo, na Banda Lordão por 30
anos, nesta responsável por tocar instrumentos de sopro e escrever os
arranjos. Longe de pensar em aposentadoria, aceitou o convite do presidente
José Vanderley para dinamizar a Filarmônica Euterpe Itabunense.
Atualmente o professor Arnaldo Dias é responsável pela capacitação da turma
de jovens, aos sábados, que não se limitar a formar profissionais da música,

mas cidadãos bem postos na sociedade, como faz questão de completar. “Eles
chegam aqui com muita vontade de aprender, muitos deles com o sonho de
tocar determinados instrumentos, o que mostra que são vocacionados”, conta o
maestro Arnaldo.
Dentre os instrumentos preferidos entre os jovens estão o saxofone, trompete,
flauta e clarinete. Assim que chegam, verificamos a intimidade com o
instrumento e oferecemos algumas opções, a depender do que cada um
pretende seguir no futuro. Como exemplo, o clarinete e o bombardino são
dispositivos que requerem leitura mais apurada, notadamente nas filarmônicas.
Outro desafio lançado pelo presidente José Vanderley ao maestro Arnaldo Dias
foi reorganizar a Filarmônica Euterpe Itabunense, trabalho que vem sendo feito
com treinamento dos músicos. Na opinião do maestro, os músicos disponíveis
na instituição são excelentes para uma orquestra de câmara, mas ainda não
possuem treinamento em filarmônica.
A grande diferença é que na orquestra de câmara os músicos tocam seus
instrumentos sentados ou em pé, mas parados, enquanto na filarmônica eles
precisam se movimentar, tocar andando. Outras diferenças são a quantidade de
músicos, menores na orquestra de câmara e maiores na filarmônica; bem como
o repertório, peças para grupos menores na câmara, enquanto grandes
sinfonias na filarmônica.
E o maestro Arnaldo Dias fala com entusiasmo do trabalho de reestruturação
que vem sendo realizado na Filarmônica Euterpe Itabunense, cujo público se
encanta durante as apresentações, desde as crianças até os mais idosos. Mais
importante, ainda, segundo ele, será a transformação dos jovens em músicos
com capacidade em tocar não apenas de ouvido, como se diz, mas de ler e
interpretar partituras de autores diversos e renomados por séculos.
O presidente José Vanderley ressalta o esforço hercúleo que a Sociedade
Montepio dos Artistas de Itabuna vem empreendendo para transformar, com
parcos recursos, a realidade da juventude itabunense. “Ele chegam aqui
entusiasmados com o que pode acontecer em suas vidas, e com certeza
ganharão uma profissão e realizarão seus sonhos como artista”, resume o
presidente da Assembleia Geral do Montepio.

*Radialista, jornalista

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