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MÃE VIAJA QUASE 40 QUILÔMETROS PARA ENTREGAR DOAÇÃO NO BANCO DE LEITE DO MANOEL NOVAES

MÃE VIAJA QUASE 40 QUILÔMETROS PARA ENTREGAR DOAÇÃO NO BANCO DE LEITE DO MANOEL NOVAES
  • Geral

O Banco de Leite Humano da Santa Casa de Itabuna enfrentou, por
muito tempo, déficit no estoque para alimentação de 100% das crianças
internadas na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Manoel
Novaes. Muitas vezes tinha de recorrer à fórmula. Essa realidade

mudou em agosto de 2023 quando um grupo de mães de recém-
nascidos, moradoras de Ilhéus, iniciou um movimento para coleta,

armazenamento e entrega de leite em Itabuna.
O movimento começou com Larissa Lemos Araújo Pacheco, que se
sensibilizou com a notícia de que não havia leite materno suficiente
para a alimentação dos bebês hospitalizados no Manoel Novaes. Eram
filhos de mães que, por alguma dificuldade, não conseguiam
amamentar. Ela iniciou a doação do leite excedente e mobilizou outras
mulheres da cidade. Hoje, existe um grupo com 12 doadoras ativas.
Uma vez por semana uma delas entrega em Itabuna o leite coletado
em Ilhéus.
Há cerca de quatro meses a coleta e doação de leite humano ganhou
um importante reforço de Ibicaraí, cidade que fica a cerca de 40
quilômetros de Itabuna. Todos os dias a agropecuarista Ismênia de
Morais Ramos amamenta o filho e um excedente é armazenado para
doação no Banco de Leite Humano. A mãe do pequeno João alimenta
bebês que nunca teve contato.

HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

O ato de amor ao próximo protagonizado por Ismênia de Morais tornou-
se ainda mais representativo pelas dificuldades que ela enfrentou

durante a gravidez. “Passei por um processo muito difícil durante a
minha gravidez. Estava passando por um momento turbulento e
cheguei a pensar que não teria leite nem para alimentar meu filho,
porém, antes mesmo de João nascer, eu já estava produzido”, contou.
Ismênia de Morais logo percebeu que estava com hiperlactação –
produção excessiva. Tinha leite suficiente para amamentar o filho e
ainda sobrava. Incentivada por uma irmã, que já era doadora e
providenciou o cadastro no Banco de Leite em Itabuna, a
agropecuarista começou a doar o excedente. A mãe do pequeno João

chegou a doar 10 litros de leite numa única semana. Em menos de
quatro meses a jovem mãe já doou mais de 50 litros.
A mãe de João contou a sua experiência de ser doadora nesta semana
de programação do Agosto Dourado do Hospital Manoel Novaes.
Criada em 1992 pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento
Materno, promovido em conjunto com a Organização Mundial da Saúde
(OMS) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a
campanha visa conscientizar a sociedade sobre os benefícios do
aleitamento.
No sul da Bahia, o mês de mobilização para reforçar a importância do
Aleitamento Materno começou na segunda-feira (3), com a palestra da
pediatra e diretora técnica do Hospital Manoel Novaes, Fabiane
Chávez. A médica apontou avanços alcançados nos últimos anos, mas
observou que o Brasil está longe de atingir o índice adequado de
crianças amamentando.
Fabiane Chávez disse que o apoio às mães de recém-nascidos deve
ser de toda a sociedade, principalmente de seus familiares e
profissionais de saúde. “Precisamos melhorar essa comunicação nas
unidades básicas de saúde, onde é feito o pré-natal de uma parcela
significativa das gestantes. Os gestores também precisam orientar
melhor os agentes comunitários de saúde para que possamos melhorar
os indicadores relacionados ao aleitamento materno”, afirmou.
A enfermeira Bianca Baleeiro, do Banco de Leite da Santa Casa,
reforçou que o leite humano fornece os nutrientes essenciais para o
crescimento e o desenvolvimento da criança. “São muitos os
benefícios. O leite da mamãe protege o bebê contra infecções
respiratórias e diarreias. Além disso, contribui para reduzir o risco de
doenças como hipertensão, diabetes e obesidade ao longo da vida”.
A amamentação, segundo Bianca, precisa ocorrer nas primeiras horas
de vida e seguir até, pelo menos, dois anos de idade. No mês de
agosto haverá atividades apoiando o aleitamento humano. “Nos
primeiros seis meses o leite materno deve ser exclusivo. Depois desse
tempo, mesmo com a introdução de outras opções de alimentação,
deve ser mantido para o bem da criança e da mamãe”, alertou.

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