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FLAMENGUISTAS QUEREM ESQUECER O JOGO DO SENTA

FLAMENGUISTAS QUEREM ESQUECER O JOGO DO SENTA

Por Walmir Rosário
Por mais que eu goste de alguns amigos flamenguistas, não posso me furtar de lembrar as
grandes goleadas aplicadas pelo Botafogo no Flamengo, que jamais serão apagadas da
história do futebol. Em 10 de setembro de 1944 – prestes a completar 75 anos, portanto –
o clássico disputado pelo Campeonato Carioca, em General Severiano, não acabou. Isso
porque os jogadores do Flamengo, ao tomarem o quinto gol sentaram em campo.
Peço perdão pela lembrança aos meus amigos José Senna, Tolentino, Batista, dentre
outros, mas não podemos deixar fato como esse apenas nos arquivos de jornais da época,
pois não sou baú para guardar segredo. E olha que já vencemos o Flamengo por placares
mais elásticos, como no Campeonato Carioca 1927, quando o Botafogo atropelou o
Flamengo pelo placar de 9 a 2, na Fase única do certame.
Outros botafoguenses não abrem mão da partida em que o Botafogo venceu com
facilidade o Flamengo por 5 a 0, no estádio General Severiano, na Fase 1º Turno do
Campeonato Carioca 1924. Outro jogo famoso foi aquela goleada por 6 X 0, em 15 de
novembro de 1972, em que os flamenguistas do famoso Canal 100 jogaram fora o filme
com vergonha de tamanha derrota.
Mas o lendário Jogo do Senta, que hoje tem poucas testemunhas, embora esteja
registrado nos anais da história, como já disse, deixou os flamenguistas acabrunhados,
pois após o time sofrer o quinto gol, do atacante alvinegro Geninho (depois técnico), os
jogadores do Flamengo se sentaram em campo. E a desculpa ridículo do protesto teria
sido a marcação do quinto gol.
Como acontece até os dias atuais, os jogadores do Flamengo reclamam de tudo e de
todos, e naquele fatídico dia 10 de setembro de 1944 não foi diferente e partiram pra cima
do árbitro tentando intimidá-lo a anular o tento. Como o árbitro Aristide "Mossoró"
Figueira sustentou o apito e os flamenguistas se sentaram em campo, apesar dos
protestos do seu treinador, Flávio Costa. Há quem afirme que a ordem teria partido dos
dirigentes flamenguistas.
Enquanto os jogadores rubro-negros protagonizavam a ridícula cena, os torcedores do
Bota provocaram os atletas flamenguistas, gritando: "Senta para não apanhar de mais".
Nesta partida, o segundo tempo terminou aos 31 minutos, quando o juiz decidiu encerrar
o jogo por atitude antidesportiva. Os dirigentes do Flamengo recorreram ao Tribunal de
Penas da Federação Carioca, mas o resultado do campo (5 a 2) foi mantido.
E esse tipo de comportamento antidesportivo é prática useira e vezeira no Flamengo, que
perde em campo e não se conforma, buscando a pretensa vitória nos tribunais, o que nem
sempre acontece. Recentemente, recorreu até o Supremo Tribunal Federal (STF) por um
título de campeão brasileiro, com mais uma derrota no tapetão, após sucessivas decisões
em várias instâncias.
E essa pendenga vem rolando desde 1987, quando em mais uma lambança, o Flamengo
se recusou a jogar contra o Sport pernambucano. Na ocasião, o Flamengo venceu a Copa

União, mas a CBF mandou jogar a semifinal com Inter (segundo colocado), Sport e
Guarani (que venceram o Módulo Amarelo). Flamengo e Inter se negaram a disputar os
duelos. Assim, o Sport venceu o Guarani e acabou sendo considerado campeão.
E as proezas do Flamengo continuam tão em voga, que se escondem depois do resultado
adverso e da perda dos campeonatos, o famoso cheirinho, como costumam “gozar” os
adversários. Para evitar as derrotas frequentes, apesar de ter formado uma grande
equipe, contrataram um décimo terceiro jogador, de apelido estranho: VAR, o tal árbitro
assistente de vídeo, que constantemente livra o time das derrotas.
Mas voltando aos 5 X 2 de 10 de setembro de 1944, esse jogo foi relatado pelo jornalista
Paulo Cézar Guimarães no livro "Jogo do Senta: a verdadeira origem do chororô". O
lançamento, como era de se esperar, foi realizado na sede do Botafogo, em General
Severiano. Nada melhor para marcar o polêmico jogo e resgatar detalhes daquela partida.
Mais uma vez, peço desculpas aos flamenguistas, mas só pela lembrança.

Radialista, jornalista e advogado

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