DONA PONTE VEM AÍ… FALTA O SISTEMA VIÁRIO URBANO
Há mais de um ano que venho sendo presenteado pelo vice-prefeito de Ilhéus, José Nazal,
com fotos bem produzidas sobre o andamento da obra de construção da segunda ponte
que ligará o centro de Ilhéus ao bairro do Pontal e ao resto do mundo. Fotógrafo
profissional de reconhecida competência, Nazal também brinda os amigos e profissionais
da imprensa regional com informações importantes do ponto de vista técnico da obra.
Falar de José Nazal pelo seu amor a Ilhéus é como chover no molhado, mas, a título de
informação, não poderia eu deixar de traçar poucas linhas sobre a ponte estaiada – uma
novidade na Bahia –, já considerada como um dos mais belos cartões-postais de Ilhéus. A
cidade, de reconhecida beleza natural, incorpora uma arte moderna à sua paisagem para
contrastar com a beleza arquitetônica do casario construído em épocas distinta da história.

Tive a felicidade de acompanhar os contatos iniciais – desdes as promessas – de
construção na nova ponte, primeiro como jornalista, depois como participante da equipe
do então prefeito Newton Lima. E, em todas as oportunidades, José Nazal estava na linha
de frente, prestando informações históricas e técnicas sobre as possibilidades da
implantação desse importantíssimo equipamento para o desenvolvimento da cidade.
De início, destaco a vasta colaboração de Nazal como um marco na área da comunicação,
tendo em vista que nenhum veículo de comunicação – rádio, jornal, televisão, blogs ou
outros tais – teriam condições para o empreendimento. E explico: nada de novo foi feito
por Nazal, que apenas reeditou o chamado setorista dos velhos tempos, acompanhando,
pari passu, o andamento, enquanto um veículo faria, apenas, grandes reportagens.
Mesmo fora do governo municipal, José Nazal não se esquivou de continuar colaborando
com o governo estadual (dono da obra) e com as empresas construtoras, além de
informar, em tempo real, de todos os estágios da obra. Como sempre acontece –
principalmente na política – existem os céticos – ou apenas adversários – que dizem não
acreditar na execução do projeto, que foi ganhando corpo a cada dia.
Como toda grande obra construída no Brasil, a segunda ponte, ou a dona ponte, como a
denomina Nazal, possou por alguns problemas de continuidade, por conta do
envolvimento da primeira – a segunda também – com a Operação Lava Jato. Não fosse
isso, já estaríamos trafegando por ela há algum tempo, portanto livres dos constantes
engarrafamentos na única via de tráfego atual.
Para nós leigos em engenharia, as informações – textos curtos e fotos – fornecidas por
Nazal foram bastante enriquecedoras, por não conhecermos os meandros e detalhes da
construção de uma ponte estaiada. De forma didática, Nazal passava cada filigrana técnica
explicada pelos técnicos responsáveis pela construção, a exemplo da rotineira colocação
dos cabos de aço de sustentação.
Em poucos dias teremos a entrega da obra pela empresa construtora e caberá ao governo
do estado marcar a data da inauguração da ponte, com a escolha do nome do
equipamento, o que poderá render questionamentos mil. De início, vamos ao primeiro
questionamento: Qual o critério para a escolha da pessoa que emprestará o nome?
Caberá aos cidadãos de Ilhéus a escolha desse nome?
Certo dia, em tom de brincadeira, questionei Nazal se com a nova ponte em operação,
além da melhoria substancial do tráfego entre o centro e zona sul, não poderíamos,
também, ter mais um problema… E explico: Como a ponte atual é o local preferido pelos
manifestantes dos vários setores para realizar os protestos, passariam, também, a
atazanar a vida da população realizando-os, concomitantemente, na outra ponte?
Pois é, já antevejo a festa da inauguração – mormente num ano de eleições municipais –
com presenças de políticos e autoridades todos os tipos no palanque dos governos
estadual e municipal. Melhor do que se apresentarem como pais e mães da criança,
prestariam um grande serviço apresentar a execução de um projeto do sistema viário do
município, retirando o tráfego do centro da cidade.
São obras de custo módico, tendo em vista as pequenas distâncias entre o bairro do
Banco da Vitória e os dois pontos da BA-001 nos sentido Sul – proximidades de Olivença –
e Norte – lá pelos lados da Ponta do Ramo. Com isso, grande parte do tráfego,
principalmente o pesado, seria desviado do centro da cidade, evitando danificar o
pavimento e equipamentos enterrados de saneamento.
Antes que passem a me chamar de insaciável, insatisfeito ou utópico, digo que esse
sistema é uma das grandes dívidas que os outros dois entes federativos – Estado e União
– devem a Ilhéus. Sem gastar muito verbo, pois todos são sabedores da importância de
Ilhéus e região como colaboradores e contribuintes dos tesouros da Bahia e Brasil. A
dívida é grande, está vencida e poderá ser levada ao cartório de protesto eleitoral.
Se querem saber como fazer o sistema viário, garanto que Nazal prestará mais esse
obséquio por sua terra sem qualquer dificuldade.
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Walmir Rosário
Radialista, jornalista e advogado


