Disputa interna racha o PT em Itabuna antes das eleições
A sucessão municipal em Itabuna aponta para uma profunda crise do PT, que chega dividido por 594 votos a favor do apoio à reeleição de Augusto Castro (PSD) contra 590 sufrágios por uma candidatura própria liderada por Geraldo Simões, que foi prefeito de Itabuna por dois mandatos e deputado federal em três legislaturas. Essa disputa aponta para o fim de quase quatro décadas do geraldismo no comando municipal das bases do Partido dos Trabalhadores em Itabuna, mas a decisão numa instância superior do partido pode também ser decidida no tapetão, em Salvador.
O que os analistas políticos questionam é qual será o plano B de Geraldo Simões, que pode recorrer com poucas chances de sucesso ao comando do partido na Bahia. Já a sua proximidade com o presidente Lula, de quem é amigo e compadre, pouco ajudou na disputa municipal, uma vez que os seus opositores do PT 2 incorporaram em panfletos e cartazes o discurso de amigos de Luiz Inácio Lua da Silva. O cenário disruptivo do partido em Itabuna foi sumarizado pelo articulista Marco Wense ao considerar a disputa local como um duelo entre o PT 1 e PT 2, numa rota de colisão inevitável e sem chances de reconciliação entre os antagonistas.
Há ainda que acredite na possibilidade de Geraldo Simões mudar de partido, abrigando-se no MDB, com aval de Lúcio Vieira Lima. Simões teve em suas mãos três secretárias do governo estadual associados a um mandato para deputado federal, o qual poderia tornar-se o político influente do sul da Bahia ao tentar sem sucesso eleger a sua mulher, Jussara Feitosa, como prefeita de Itabuna e um dos filhos para deputado estadual, o que pavimentaria sua trajetória rumo ao senado federal. Mas há quem discorde essa opção em função da coerência de quem foi um dos fundadores do diretório municipal e do partido no país, que voltou ao circulo do poder federal.
Em que pese a derrota de ontem,seus aliados o consideram como vitorioso “porque não é fácil enfrentar uma máquina azeitada de dinheiro público, de vale-voto, de cestas-básicas, de ameaças veladas de demissão e outros atos capazes de envergonhar a muitos de nós, petistas que insistimos a vida inteira em modificar a situação precária de nossa sociedade”, diz Jorge Almeida, numa análise divugada nas redes sociais .
Ele lembra ainda que “você nos conduziu muito bem: sem recursos financeiros, sem atropelamentos, sem mandonismos, apenas com o empenho e dedicação de poucos militantes incansáveis, chegamos a um empate técnico com gosto de Vitória.Por que chamo de Vitória? É simples: obtivemos 590 votos; a máquina obteve 594”, compementou.
Para Almeida,sso significa, em números proporcionais, que tivemos 49,83% dos votos; a máquina obteve 50,17% dos votos: “como teremos que eleger 88 delegados para a Convenção do Partido, em julho, pela proporcionalidade da regra do Partido indicaremos 43,85 delegados; a máquina indicará 44,15 delegados.Assim, arredondando o número de delegados, indicaremos *44 Delegados*; a máquina, igualmente, também indicará 44 Delegados”.
Outros analistas vêm a derrota como um fato consumado, pois, o grupo vencedor poderia indicar 45 delegados, contra 43 do grupo antagonista. É um resultado apertado e que na convenção municipal do partido ficaria com o gosto de 1 x 0. Mas Geraldo Simões não está morto e candidatos de outros partidos já costuram o seu apoio ocupando o vácuo gerado no circuito eleitoral grapiúna. (Kleber Torres)
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