DIA INTERNACIONAL DO GOLEIRO. QUAL O SEU HOMENAGEADO?
Não sei como surgiu a homenagens aos goleiros, comemorada em todo o mundo no dia
26 de abril. Goleiro é uma das posições que não admite falha, pois no futebol é o gol
quem “manda” e quem marca mais ganha o jogo, o turno, o campeonato. Goleiros bons já
tivemos à mancheia, embora os milhões de comentaristas brasileiros sempre disseram que
eles não sabiam sair das quatro linhas como os europeus.
Na seleção canarinho sempre foi motivo de amor e ódio. Que o diga o goleiro da copa de
50, Barbosa, que tomou os dois gols do “maracanaço”, marcado para sempre e morreu
com esse desgosto. Dizem até que o lugar do goleiro – embaixo dos três paus – é tão
amaldiçoado que não nasce grama. As diferenças entre o goleiro e os atacantes são
abissais e ninguém enfarta caso um atacante perca um gol, mas morre se o goleiro toma.
Marcadas as diferenças, alguns goleiros sabem se impor e conseguem fazer história nos
times por que passam – com raríssimas exceções – e na Seleção Brasileira, outros não
conseguem essa proeza. Guarda-redes, goalkeeper, arqueiro ou simplesmente goleiro é
aquele que consegue fazer voos sensacionais para tirar, com a ponta dos dedos, a bola da
direção do gol, se jogar nos pés do atacante, calcular o lado certo da batida da falta ou do
pênalti.
Caso seja bafejado pela sorte, ou quem sabe, a técnica, defendendo sua retaguarda, é
aplaudido efusivamente pelos torcedores de sua equipe e xingado pela torcida adversária.
Se não foi feliz na sua intervenção, “a casa cai” e imediatamente ganha, no mínimo, a
alcunha de frangueiro e perde a admiração da torcida e a confiança do treinador e dos
cartolas do clube, mesmo sendo o petardo disparado pelo adversário indefensável.
Neste domingo (26), Dia do Goleiro, fiz questão de homenagear o arqueiro Manga, que
sabia se colocar em frente da trave como ninguém. No Botafogo foi Campeão Carioca em
1961, 1962, 1967 e 1968, Taça Brasil de 1968, Rio-São Paulo de 1962, 1964, 1966. Já que
falei de estatística, Botafogo jogou 442 partidas e sofreu 394 gols. Também jogou 12
partidas pela Seleção Brasileira.
Pelo Botafogo passaram grandes goleiros, com os quais me identifiquei bastante, mas
Manga sempre foi especial pela sua presença e firmeza na pequena área e impunha
respeito ao abrir “as asas” e deixar o atacante perdido, sem saber o que fazer. Melhor,
ainda, quando o próximo jogo era contra o Flamengo e ele não perdia a esportiva ao dizer
que tinha recebido o “bicho” pela vitória antes mesmo do jogo.
Já Maurício Duarte, ex-jogador profissional de grandes equipes brasileiras (Botafogo,
inclusive), radialista, comentarista de futebol, amigo de excelente caráter, homenageou o
goleiro Laércio, do Itabuna. E a homenagem foi prestada em tempo certo a uma pessoa
que não mais se encontra entre nós e fez história no Itabuna Esporte Clube e em Itabuna,
chegando a ser o xodó da torcida pelas grandes atuações dentro e fora do campo.
Itabuna sempre foi pródiga em bons goleiros desde os tempos do futebol amador –
Fluminense, Flamengo, Grêmio, Janízaros, Bahia, Itabuna, Corinthians e Botafogo, este
com um fato inusitado: o goleiro Danielzão mais tarde trocou de posição e passou a jogar
como centroavante. Esses mesmos goleiros dos clubes defenderam com mãos de ferro a
Seleção de Itabuna, vencedora do Intermunicipal por oito anos seguidos: Octacampeã.
Desfilaram em baixo dos três paus da seleção itabunense os goleiros Carlito, Asclepíades,
Ivanildo, Plínio, Luiz Carlos, Betinho, dentre outros, que escreveram seus nomes da
história do futebol itabunense. Goleiros que defendiam bolas impossíveis e se atiravam
nelas como um esfomeado em busca de um prato de comida, para não deixar de citar a
rica e bela gíria futebolística, além dos altamente técnicos.
É uma justa homenagem a um profissional – antes amador – que destoa dos colegas de
equipe desde pequeno, por ser raro os que têm o sonho de ser goleiro e lutam para isso
nos babas e escolinhas de futebol. Não raro, os goleiros são descobertos por serem
aqueles que não têm talento para jogar na zaga, meio do campo e ataque e são escalados
nos babas como goleiro, posição pouco disputada nos campinhos.
Por isso e tudo isso, minhas homenagens aos goleiros do Brasil e do mundo. Vai que é
sua, Tafarel!
Radialista, jornalista e advogado.Walmir Rosário*



