COLÉGIO CONTRIBUIU PARA TRANSFORMAR A EDUCAÇÃO
Turma concluinte do primário em 1955
Por Walmir Rosário*
No século passado estudar era uma dificuldade para as famílias menos favorecidas
financeiramente lá pelos idos de 1930 até 1970, e poucos se aventuravam a concluir o
curso ginasial e médio. O maior tabu era se diplomar nos cursos superiores. E os entraves
era tirar um trabalhador da ativa, além conseguir uma boa escola e conseguir pagá-la, já
que em sua maioria eram particulares.
No bairro da Conceição em Itabuna, onde cresci, a história nos mostra os caminhos
tortuosos da educação, a começar que o ensino público não era, exatamente, uma
prioridade de prefeitura e estado. Embora esses entes colaborassem, uma boa parte da
educação ficava aos cuidados dos particulares e instituições religiosas, cujas mensalidades
desencorajavam os pais de família com grande prole.
Nas décadas de 1920/30, no bairro da Conceição, o ensino teve início na rua da Palmeira
(hoje avenida Félix Mendonça), a céu aberto, tendo como líder a professora Otaciana
Pinto, também parteira. E funcionava nos passeios das casas, com mesa, cadeira da
professora e quadro-negro, colocadas nas calçadas, enquanto os alunos traziam
tamboretes, bancos ou se sentavam nos passeios.
O grande problema eram as constantes chuvas, quando os alunos corriam com os
apetrechos e entravam nas casas. De acordo com o Memorial “Bairro da Conceição e os
Primórdios”, de autoria das professoras Edith e Jiunice e o engenheiro agrônomo Sandoval
Oliveira de Santana, foi uma luta política instalar a primeira escola pública estadual no
bairro, o que somente aconteceu em 1941.
Com três filhos pequenos e sem escola pública, um dos moradores mais antigos do bairro,
Antônio Joaquim de Santana (Marinheiro) sentiu a necessidade de uma escola que
possibilitasse a educação não somente de seus filhos, como a dos de seus amigos e
demais moradores. Junto com o outro morador, Mecenas Oliveira, locaram uma casa para
o funcionamento da Escola General Osório.

Turma concluinte do primário em 1957
Em comum acordo com sua esposa, seu Marinheiro colocou à disposição de algumas
professoras uma casa de sua propriedade, vizinha à sua residência, para que ali
funcionasse a escola. Diante da precariedade das instalações, a escola expandiu-se e
passou a funcionar em diversas casas nas ruas do Prado, Bela Vista, Liberdade e Santa
Catarina em quais estudei nas décadas de 1950/60.
Em virtude da qualidade e dedicação das professoras, a Escola General Osório era uma
das mais conceituadas de Itabuna, e passou a ser procurada por alunos do centro da
cidade. Das professoras pioneiras destacam-se Cármen Santana, Cármen Vilas Boas,
Primitiva Izaura Ferreira Oliveira e Bernadete do Amaral, Leonor Santos Pacheco, Juliana
Lachert Caetano (depois diretora), Dalva Menezes, Elza Almeida Cordier, Terezinha Cordier,
Vanda Sousa e Neidir Fortunato Borges.
Mesmo antes do Governo do Estado assumir a direção da escola (5 de julho de 1941),
além do ensino formal, eram comemoradas festivamente com desfiles todas as datas
simbólicas. Dia da Abolição da Escravatura, enaltecendo a Lei Áurea; Dia da Cidade; 7 de
setembro, Independência do Brasil; Dia da Primavera; Proclamação da República; Dia da
Bandeira, dentre outros.
Um dos autores do Memorial, Sandoval Oliveira de Santana, conta que a implantação da
Escola General Osório coincidiu com o seu nascimento (5 de julho de 1941). A General
Osório funcionou por 27 anos no imóvel emprestado por seu Marinheiro, dando estrutura
educativa primária a gerações. A família recebeu o imóvel em ruínas, porém não se
importou, pois o objetivo – a educação – foi alcançado.
Outra contribuição da família foi o exercício do magistério pelas irmãs Edith e Eurides por
anos na escola, que junto com as novas professoras – Lélia Apê Portela, Maria Monstans,
dentre outras deram continuidade ao ensino. Esses professores foram responsáveis pela
formação educacional e de caráter de milhares de jovens que ali estudaram e hoje
ocupam lugar na sociedade em que vivem.
A Escola General Osório promoveu por muitos anos o estudo primário das crianças do
bairro da Conceição e do centro da cidade, se notabilizando pela qualidade da educação
transferida aos alunos. E a cada ano o conceito dos alunos aumentava, pois ao prestarem
a Admissão ao Ginásio, que era uma espécie de vestibular para ingressar no Ginásio, eles
obtinham índices elevados de aprovação.
Até hoje a Escola Estadual General Osório continua na ativa, apenas mudou de endereço e
está localizada em outro prédio confortável construído no final da década de 1960, na rua
Aurora, bairro da Conceição, atendendo a cerca de 470 alunos. A escola existe, sim, mas
com outro nome, Colégio Estadual Adonias Filho (que já é nome do Centro de Cultura), no
“fabuloso” projeto petista de desmilitarização da história brasileira.

* Radialista, jornalista e advogado
Maria Izabel; Maria Bernadeth; Aides Alves Souza; Maryleda Jovita; Marylea Jovita; Maria Emília Almeida;
Eunice Nunes Mota (+); Vera Lucia Midlej; Marina e Amândio Rebouças.
2 ªfila: Maria Donata Reis (+); Maria Angélica (+); Antônio Carlos Reis (+); Guy Marinho; Profª. Leonor
Santos Pacheco (+): Antônio Carlos Carvalho (+); José Vidal Silva; Sandoval Oliveira de Santana; Alcides
Prates (+); Doralice Correia; Aroldo Espirito Santo (+); Etiene Marli; Maria Augusta (+).
3ª fila: Bartolomeu Cruz; Jorge Edmundo Portela; Oduvaldo Marinho; Alicio Nunes Mota; Braulino Santos
(+); Adaílton Wasty Simões e Fernando.
(+) in memorian.
(Acervo Sandoval, 1955)
Conclusão da turma de 1957
Escola General Osório – Concluintes de 1957, nela encontram-se Maria Leopoldina, filha de Seu Marinheiro,
Ruinalva Gallo, filha de João Gallo, Iara Lúcia Costa, filha de Seu Didi, e a Prof.ª Neidir Borges, dentre
outros. (Acervo Família Santana)


