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CEPLAC, UMA RELIGIÃO?

CEPLAC, UMA RELIGIÃO?

Luiz Ferreira da Silva*
Seu Luiz, como assim o chamávamos por ser mais velho, motorista da turma de
solos (Pedologia), ao se aposentar – um dos primeiros – fez um gesto simbólico
ao beijar o chão, antes de transpor os umbrais da sede da CEPLAC.
Provavelmente, baseou-se no Papa João Paulo II, que tinha o hábito de beijar o
chão de um país tão logo pisasse, como uma maneira de expressar seu amor e
respeito pelo país e o seu povo.
Esse gesto do modesto servidor expressava sua gratidão àquela Casa que o
acolhera e ali se sentira feliz em prestar sus serviços, enviando provavelmente
um recado aos que ficaram: – “CEPLAC, Escola, Lar, Provedora”.
É preciso entender como foi edificada essa Instituição para se mensurar o visgo
em mão dupla: Instituição versus servidor. O sentimento via dever profissional;
o comprometimento com o cacau; o respeito ao homem do campo; a bandeira
da excelência.
Brandão, primeiro secretário-geral, implantou um tal de espírito de corpo,
incutindo-nos uma filosofia de solidariedade e lealdade ao grupo, colocando a
organização na mira do trabalho profícuo. Zé Haroldo, subsequente Diretor-
Geral, cravou o decálogo profissional. Paulo Alvim, Diretor científico, trouxe o
mote do aperfeiçoamento. E o colega, líder extensionista, Ubaldino Dantas
Machado, movimentava sua turma, com a palavra parceiro, hoje em moda.
Vale a pena registrar a importância do Banco do Brasil neste contexto, cujos
funcionários cedidos transportaram os princípios éticos e de proficiência
profissional da sua organização de origem, tida como de excelência.
Também, de relevância, o produtor de cacau, financiador por muitos anos,
através da taxa de retenção, recursos estes gerenciados com probidade,
possibilitando o retorno de bens para toda região cacaueira.
Em 2017, mesmo distante, organizei com apoio de outros colegas de Salvador,
um Encontro, oportunidade que homenageamos a CEPLAC com um livro. Foi
tão profícuo, que repetimos a dose em 2018, com um tributo a José Haroldo,
registrado em outro livro.
Muitos se fizeram presentes, deslocando-se de Ilhéus, Itabuna, Maceió, Belém,
Brasília, não pelos meus olhos, mas pelo sentimento ceplaqueano,
diferentemente, talvez, se fôssemos apenas colegas de uma instituição
qualquer.
No ano que vem, 2023, 60 anos da fundação do CEPEC (Centro de Pesquisas
do Cacau), oportunidade a um terceiro Encontro. Vale pensar com muito
carinho!

Pelo exposto, concluo que a CEPLAC é uma RELIGIÃO; e os que se formaram
nela, uma ruma, como diz o bom baiano, de ABENÇOADOS.

Pesquisador aposentado (85 anos) e “sócio-fundador” do
CEPEC, 1963.

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