Não se logra extrair os ossos dessa massa, os músculos mutilados no esforço dos anos. Tuas mãos, escravas, alimentadas na turva ferida, dor sem cura. A atrocidade no ferro que furou o coração, a enchente na vala que transbordou de mágoa, nuvens não tocadas. Nunca será paga a conta na mancha que te afoga. Como herança os rastros dessa noite escura na pele que te lança nos muros, agarra-te nas manhãs com sua claridade vista apenas pelos não pretos. Até quando barreiras de tua cor opaca farão na vida uma coisa qualquer, desigual, desvão sem canto?