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A PICANHA DE ITORORÓ E O NERVOSISMO DO GARÇOM

A PICANHA DE ITORORÓ E O NERVOSISMO DO GARÇOM

Num domingo chuvoso desses resolvemos – eu e minha mulher – almoçar fora
de casa. Nossa dificuldade em escolher um restaurante foi terrível. Era dia em
que se comemorava uma data consumista – Dia da Mães – em que todos os
casais resolvem sair de casa ao mesmo tempo para almoçar juntos após entrar
numa fila para aguardar uma mesa, o que não é meu negócio.
Entre as opções os restaurantes do Banco da Vitória, praça de alimentação dos
viajantes que buscam o ar salitroso do São Jorge dos Ilhéus. Mas existia uma
condição proibitiva: como evocar o velho e bom Baco, deus romano do vinho,
da ebriedade, se a “lei seca” nos obriga a cortar do nosso cardápio um dos
prazeres da mesa, o vinho, cerveja ou outro artigo etílico equivalente. Caso
contrário é se arriscar a cair das garras da lei, ou de Polícia Rodoviária.
Para não estragar meu domingo com esse tipo de planejamento fora dos
propósitos gastronômicos, resolvi ir num restaurante recém-inaugurado, em
Itabuna. Na entrada, fomos bem recebidos e cercados de gentilezas. Mas ficou
só nisso. Assim que sentamos, fomos abandonados pelos garçons e era um
suplício solicitar a simples reposição de uma garrafa de cerveja.
Não, a casa não estava lotada e mesas ainda se encontravam à disposição dos
descautelosos clientes. Após dezenas de investidas para pegar um garçom no
laço, finalmente chega uma garrafa de Bohemia geladíssima. Pensei comigo:
“Valeu a pena”, cochichei triunfante à minha mulher, completando que teríamos
acertado na escolha.
Ledo engano, eu não pressentia que o pior ainda estaria por vir. E veio a
cavalo, como diziam nossos antepassados. Eis que chega o garçom, garboso e
altaneiro, Bohemia na bandeja. Como num passe de mágica, vejo nossos
prazeres da mesa ruir como um castelo de areia. Ao fazer mais uma mesura, o
garçom perde o equilíbrio e, em vez de colocar a cerveja na taça de minha
convidada, derrama o líquido na sua bolsa, que descansava na cadeira vizinha.
Uma catástrofe! Uma tempestade de maus pensamentos invadiu meu cérebro,
cujos neurônios enviavam mensagens furiosas e abomináveis. Após as
desculpas de praxe, resolvemos continuar aguardando nossa picanha de carne
do sol com a grife “Itororó”. Refeito do susto e passado algum tempo, outro
garçom (o desastrado sumiu), finalmente chega com nosso pièce de résistance,
acompanhado de farofa de manteiga de garrafa com cebola e feijão-verde.
Finalmente, colocamos nossos talheres em plena atividade.
A comida estava bem preparada, com a picanha de carne do sol no ponto, bem
como os pratos de acompanhamento, que passamos a degustar sem qualquer
cerimônia. O Grande problema foi o serviço, lento e desastroso. Por isso, não

voltei mais ao restaurante, que nos cobrou um preço astronômico e sequer
pediu desculpas pelo transtorno.
Passados alguns domingos resolvi preparar o mesmo prato em casa e deu
muito certo. Confesso que comi bem e muito.
Confira:
INGREDIENTES:
PICANHA
– ½ picanha de carne do sol cortada no sentido longitudinal;
– manteiga suficiente para grelhar a picanha.
PREPARO: Colocar na chapa, deixar assar até formar uma crosta e virar, para
deixar a carne suculenta por dentro
FAROFA
– duas colheres (sopa) de manteiga de garrafa;
– ½ cebola picada;
– 1 dente de alho amassado;
– 1 xícara (chá) de farinha de mandioca;
– sal e salsinha picada a gosto
PREPARO: colocar a manteiga na caçarola, deixando-a em ponto de fritura,
colocar a cebola e o alho até dourarem, despejar a farinha aos poucos, sempre
mexendo, e um pouco de sal. Após bem misturada, colocar a salsinha.
FEIJÃO VERDE
– uma xícara e meia (chá) de feijão-verde;
– bacon cortado em cubinhos;
– um dente de alho médio;
– ½ cebola picada;
– salsa, cebolinha, coentro (a gosto);
– duas colheres (sopa) de manteiga;
– sal;
– ½ pimentão, um tomate sem pele e sem semente.
PREPARO:
– numa panela em fogo médio cozinhe o feijão em água (pouca) e sal e
reserve;
– numa vasilha a parte frite os cubinhos de bacon na manteiga, em seguida o
dente de alho amassado, a cebola, pimentão e tomate picados;
– depois transfira o feijão para a vasilha onde fritou o bacon com os temperos e
deixe e por alguns minutos em fogo baixo até reduzir a água.
– coloque os temperos verdes.
AOS TALHERES

Sirvam-se e bom apetite. Mas não esqueçam de antes degustar uma boa dose
de cachaça, excelente para abrir os “caminhos” e acompanhar uma cerveja
bem gelada.
Pela alta qualidade do prato até o garçom foi perdoado.

Por Walmir Rosário;Radialista, jornalista e advogado

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