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A DENGUE ESTÁ AÍ FAZENDO COMPANHIA AO CORONAVÍRUS

A DENGUE ESTÁ AÍ FAZENDO COMPANHIA AO CORONAVÍRUS

Ainda ouvíamos os últimos acordes das músicas carnavalescas quando nos demos conta
de que o Coronavírus, na sua versão Covid-19, já convivia entre nós. Aqui chegou sem
precisar de visto e apresentar passaporte, não sei se devido a nossa parceria firmada com
a República Popular da China, que exigiu do Brasil uma certidão de bom comportamento,
atestando que seria, deveras, um país democrático e de livre economia.
Para o entusiasmo geral da Nação, nos orgulhávamos das constantes atracações de navios
em nossos portos com o compromisso de fazer a viagem de volta com nossos produtos e
logo se transformou em nosso parceiro comercial número um: era a glória! Se antes os
navios traziam apenas as quinquilharias vendidas ao preço de R1,99 e sem garantias,
agora levava nossa soja, nossas carnes e demais produtos.


Com a circulação da economia entre os dois países circulando a mil por hora, nem ao
menos nos demos ao trabalho de lembrar dos constantes vírus distribuídos pela China –
sem qualquer pedido de aquisição pelos países do ocidente. Se fizermos um simples busca
no Google tomaremos conhecimento de todos os malefícios a nós enviados, a exemplo da
Gripe Asiática, Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), Gripe Aviária A (H5N1) e por aí
afora.
Mas como dizia aquela personagem televisiva que “brasileiro é bonzinho”, nem nos demos
ao trabalho de analisar a próxima bomba viral encubada na China: o Coronavírus, na sua
versão Covid-19. Ora, como dizemos com muita propriedade que Cristo nasceu no Brasil –
na Bahia, por sinal – estamos, portanto, vacinados. Quem é valente o suficiente para
brigar com a Dengue, Zica e Chikungunya vai ter medo de vírus chinês?
Para não ficar apenas da teoria, os brasileiros passaram à prática e exibiram camisas e
blocos denominados “Coroavírus”, numa demonstração de picardia e empoderamento
pelas avenidas Brasil afora. Prefeitos e governadores minimizaram o vírus e se esbaldaram
dentro e fora de seus estados. Confiantes no poder consagrado nas urnas, não se deram a
trabalho de cancelar a festa momesca, coisa de somenos importância em vista dos
milionários contratos.
Na contabilidade existe uma lei – cláusula pétrea, se fosse constituição –, a partida
dobrada, método que assevera com muita propriedade: a todo débito corresponde um
crédito de igual valor e vice-versa. Resultado: como dizia o personagem Bento Carneiro, o
Vampiro Brasileiro interpretado por Chico Anísio, “não creu ni eu, se finou-se”. E o castigo
veio a cavalo, como dizem os mais velhos.
Pandemia de Coronavírus instalada, sorrateiramente – apesar de esperada – os mosquitos
Aedes aegypti começaram sua festa anual, protegidos da grande mídia ocupada com a
guerra ideológica travada entre comunistas e conservadores. Como sempre, chega
devastando os descuidados com os quintais e seus vizinhos, levando-os à cama com
sintomas de febre, dores musculares, atrás dos olhos e articulações, conforme a doença.

Para não dizer que não falei em números, nas primeiras 14 semanas o Brasil registrou
525.381 casos prováveis de dengue e 181 mortes provocadas pela dengue. Também
foram registrados este ano 15.051 casos e três mortes por Chikungunya, e 2.054 casos de
Zika. As duas doenças, assim como a dengue, são transmitidas pelo mosquito Aedes
aegypti.
Já o número de mortes em razão da pandemia do novo coronavírus (covid-19) chegou a
2.906, conforme balanço mais recente divulgado quarta-feira (22) pelo Ministério da
Saúde. Já os casos confirmados subiram para 45.757. O índice de letalidade ficou em
6,4% e o ministro da Saúde, Nelson Teich, confirmou que 25,3 mil pessoas conseguiram
se recuperar da doença
Os números não mentem, jamais! Mas então por que a Dengue, a Zika e a Chikungunya
não merecem o mesmo espaço na mídia? Simples, lhe falta o cunho ideológico, haja vista
que geralmente sua infestação se dá por aval dos donos de casa (desleixo). Nos
municípios o programa de erradicação do mosquito Aedes aegypti não é merecedor de
grandes esforços do prefeito, ficando por conta dos bravos agentes de endemias.
E o motivo da despreocupação dos prefeitos é um só: Enquanto os recursos de combate à
dengue já é previsto no orçamento anual do governo federal, mesmo carimbada sua
aplicação é dinheiro certo. Já os recursos de combate ao Coronavírus, na versão Covid-19
são extras e podem ser aplicados (gastos, melhor dizendo) sem a preocupação de
licitações.
Basta conseguir um caso que justifique o Estado de Calamidade Pública para fazer jus aos
recursos federais, que em parte terão saída no ralo do desperdício do suado dinheiro
público tomado dos contribuintes. Além do poder financeiro, os prefeitos e governadores
ainda se revestem – inconstitucionalmente – de poderes outros como interferir na vida do
cidadão, chegando a extremos como estamos passivamente assistindo.
Coronavírus dá poder político e financeiro, sobretudo status na mídia, ainda mais em
vésperas de eleições municipais, fazendo com que se promova acima dos demais
adversários ao pleito. Já a dengue dá muito trabalho e preocupação, principalmente ao ter
que invadir casas para verificar reservatórios de água e revirar os quintais dos possíveis
eleitores.
O Corona é o luxo, a dengue apenas o lixo.

*Radialista, jornalista e advogado; Walmir Rosario

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