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VOCÊ É UM ACUMULADOR? SE CONTROLE…

VOCÊ É UM ACUMULADOR? SE CONTROLE…

Por Walmir Rosário*
Pra começo de conversa peço perdão caso – mesmo sem ter a intenção –
cometa algum deslize com alguém nessa crônica. Recomendo que não se sinta
ofendido, pois não tenho a intenção de machucar ou magoar nenhum dos
leitores. O que trarei a seguir é uma simples análise, com conceitos nada
científicos e que valem somente para mim.
Atualmente está muito em voga analisar o comportamento das pessoas e
classificá-los a torto e a direito. Não, esse não será o método que utilizarei.
Falarei dos acumuladores, aqueles que mantêm objetos por longos anos, às
vezes transformando-os em verdadeiras peças de museu. Outros gostam de
acumular dinheiro, bebidas, bicicletas, carros e por aí vai…
Lembro-me daquelas imensas bibliotecas que víamos nas casas de pessoas
abastadas, com coleções imensas, famosas e caras, guardadas nas estantes da
sala de estar, sem qualquer utilidade. Sim, não eram, sequer, objetos de
consultas, e por alguns motivos: a falta de intimidade de seus donos com a
leitura, bem como para não gastar ou rasgar suas páginas.
E esses “elefantes brancos” permaneciam incólumes até o desaparecimento dos
seus proprietários, verdadeiros acumuladores da cultura, que se tornavam
inúteis para o resto da vida. O destino era acabar num sebo, ou afins. Confesso
que era – e ainda sou, hoje com moderação – um leitor voraz e comprador de
livro, que os leio. Sempre doei a bibliotecas de bairros, amigos e que tais, que
pelas minhas contas passaram de 12 mil exemplares, para que não perdessem
a utilidade.
De vez em quando lemos notícias nos meios de comunicação de incêndios em
casas desses acumuladores, que são classificados como portadores de
transtornos e distúrbios dos mais variados. Se já estiver com a tal da “melhor
idade, então, passa a receber os mais distintos adjetivos, e passam a serem
consideradas pessoas, no mínimo, ansiosas”.
Dizem os estudiosos que essas pessoas se isolam e a preocupação se dirige
apenas para sua interminável coleção de inutilidades, desprezando os amigos,
as rodas de bate-papo e os jogos nas praças perto de casa. E esse material
acumulado se transforma no seu castelo encantado, seu motivo de vida, e
totalmente alheio à sociedade em sua volta.
Soube recentemente que existem hoje profissionais voltados para atender essas
pessoas com transtornos obsessivo-compulsivo, chamados de personal
organizer, nem sempre aceito pelos acumuladores. Algumas dessas pessoas
acumulam por obsessão, enquanto outras por bel-prazer, diletantismo,
preservação de objetos antigos, históricos, daí ser conveniente não tratá-los
como gatos de um mesmo balaio.

Atualmente, com a tecnologia da informática os acumuladores de documentos e
imagens têm à disposição a comodidade de guardar suas preciosidades nas
nuvens, com a praticidade de consultá-los a qualquer hora, apresentando aos
amigos e congêneres num simples aparelho celular. Na minha adolescência
amigos possuíam coleções de selos nacionais e internacionais, cujos valores em
moeda corrente valiam fortunas. Não sei como anda o mercado no momento.
Se para uns esses colecionadores – ou acumuladores, numa linguagem jocosa –
são vistos como problemáticos, para outra banda são sempre lembrados e
endeusados quando colégios e outras instituições promovem gincanas.
Imaginem a direção desse tipo de evento solicitar, em tempo real um ingresso
da final da Copa do Mundo de 1958…, quiçá uma foto da apresentação do “rei
Roberto Carlos” no estádio de Itabuna no início da década de 1970…, é pule de
dez.
Acumular tem suas vantagens de preservar a memória de determinada
civilização, de forma organizada e cercada das garantias de uma guarda
segura, como existiam nos museus, esses mantidos geralmente por entidades
governamentais. Nem essa modalidade possuem essas tais garantias nos dias
de hoje, tendo em vistas os magros recursos disponibilizados nos deficitários
orçamentos, e muitos se estragam ou desaparecem.
Acumulo em minha memória a imagem que ao entrar em qualquer
estabelecimento comercial lá pelas décadas de 1950, 60 e 70, via pendurados
na parede quadros com dois personagens, um maltrapilho, onde se lia: “Eu
vendi fiado”; e outro bem vestido, fumando um rico charuto, apresentando a
frase: “Eu vendi a dinheiro”.
No caso acima, seria o acumulador de dinheiro, personagem não bem visto,
capitalista perverso, dizem. Mas nesse caso existem dois grupos distintos: o
que acumula, melhor dizendo, poupa de forma consciente; e o acumulador
patológico, o dos transtornos, que guarda apenas pelo prazer e chamado de
ranzinza por não gastar. Um Tio Patinhas pintado com traços malfeitos.
E para finalizar devo contar que já vi muitos guardadores de bebidas, vinhos
caros, cachaças famosas, cheias de teia-de aranhas, cortiças quebradiças e que
deixam exalar o aroma da cana destilada. Não aprovo essa ideia, por acreditar
que foram fabricadas para atender os mais exigentes paladares. Imaginem se
uma prateleira quebra e o estoque vai ao chão! Perde toda a sua utilidade.
Voltando à acumulação dos livros, verifiquei que já está passando dos 300
exemplares… Como não tenha a capacidade de análise, façam isso por mim.

*Radialista, jornalista e advogado.

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