O REPENSAR DA VIDA NOS FINAIS DE CADA ANO
Por Walmir Rosário*
Logo no início de dezembro nosso cérebro vai se enchendo de mensagens por
conta das festas natalinas. Parte menor dessa comunicação deve ser
aproveitada, pois atinge, em cheio, nossa alma, tocando a mente e o coração.
A grande maioria nem tanto, pela falta de essência – tipo palavras ao vento –,
que entra por um ouvido e sai pelo outro.
De qualquer maneira considero positivo, dado o tom e a essência desses
informes, que nos incute mensagens positivas de bem estar e amor ao próximo
em quantidade muita acima do que recebemos durante o ano inteiro. Acredito
eu – e só serve tão somente pra mim, como diz meu amigo José Nazal – que
essa fartura de informações nos obriga a pensar, fazer uma profunda reflexão.
E geralmente iniciamos pelos projetos que pensamos para o ano que se finda,
veremos o que aproveitamos de verdade, se seguimos à risca, ou os que
abandonamos ao longo dos meses, seja por falta de desfrute ou impossibilidade
de execução. A cabeça roda (no sentido figurado) para lembrarmos se fizemos
o bem como previsto no final do ano passado.
E essas reflexões atingem o ponto máximo quando buscamos saber se somos
felizes. Embora confesse que até hoje não conheço a fundo os fatores
necessários para efetuar tal mensuração, me ponho a pensar se não pisei na
bola mais do que deveria. Tarefa difícil, mas necessária para colocar os
pensamentos em dia, pois depende de uma análise isenta sobre si mesmo.
E aí é que está a importância do autoconhecimento, tão buscado por nossos
filósofos, principalmente de Sócrates pra cá. Decifrar o “só sei que nada sei”
requer mais do que muitos estudos e é primordial sermos honestos com nós
mesmos, humildes o suficiente para realizarmos uma investigação séria, isenta,
verdadeira, como merece.
Deveremos nos despir de todas as vaidades e arrogâncias que gravitam no
nosso interior e exterior. Não é uma tarefa fácil, mas necessária se nosso
projeto for chegar à satisfação interior, o “ser” e não apenas o “ter”,
reconhecendo que este último não deve ser desprezado, mas conseguido de
maneira honesta, na qual um negócio só pode ser considerado bom quando
vantajoso para as duas partes.
Tenho plena consciência das mudanças do mundo, que a cada dia nos
apresenta mudanças, nem sempre para o bem. E teremos que ter a capacidade
de nos adaptar aos chamados novos tempos, sempre preservando a nossa
dignidade. O incrível é que, com todo o conhecimento à disposição, o homem
se embrutece a passos largos e cria novos e mais complicados conflitos.
É preciso parar com frequência para refletir nossa vida e o que nos rodeia, para
que possamos julgar nossa vida, analisando atos e fatos e promovendo as
mudanças necessárias ao nosso interior. Com isso, é bem possível que
possamos viver em paz com nós mesmos e com os que nos rodeiam, para
tornarmos o mundo melhor.
Não espere apenas por Papai Noel, pois assim, a cada final de ano poderemos
contribuir para construir uma sociedade melhor
*Radialista,jornalista e advogado.


