O RESULTADO DE 7X1 DA ALEMANHA NO BRASIL É FICHINHA
Por Walmir Rosário*
Digo e repito que a vergonhosa derrota do Brasil para a Alemanha na Copa do
Mundo, em 8 de julho de 2014, pelo placar de 7X1, no estádio Mineirão, ainda
é vista pelos futebolistas como o fim do mundo. Não nego que foi humilhante,
mas nada que abalasse a estrutura do futebol. Em Itabuna foram registrados
dois feitos bem maiores e melhores que esse dos alemães, e com pioneirismo.
Bastava uma simples consulta aos anais do futebol de Itabuna – para comparar
os feitos –, que a diferença favorece os grapiúnas por larga vantagem. E isso é
só o começo. No dia 21 de abril de 1963, data em que se homenageia
Tiradentes, o Janízaros goleou o Flamengo (ambos itabunenses) pelo
expressivo placar de 7X1, feito considerado marcante no futebol.
Mas aí o distinto leitor pergunta: Qual a diferença nos dois 7X1? Elementar, os
7 gols foram marcados pelo atacante Florizel, façanha considerável, mesmo
num jogo amistoso em que as duas equipes itabunenses pretendiam apresentar
seus novos jogadores para o campeonato de 1963. Já a Alemanha precisou de
cinco jogadores para marcar: Müller, Klose, Kroos (2), Khedira, e Schürrle (2).
Na partida em Itabuna, para não perder de zero, o capitão do Flamengo,
Zequinha Carmo marcou o gol de consolação. E para a Seleção Brasileira
marcou o único tento o jogador Oscar, no finzinho do jogo. Do que fica
registrado nas duas partidas, está por mais evidenciada a superioridade do time
e jogador itabunense, que marcou sozinho todos os gols da partida.
Na semana que antecedeu ao jogo, a imprensa promoveu a partida com
entrevistas dos jogadores e dirigentes, cada qual prometendo demolir seu
adversário. Assim que o árbitro Pedro Mangabeira iniciou a partida os dois
times evitaram partir para o ataque, estudando atentamente o adversário. Até
os primeiros 15 minutos, apenas uma bola foi chutada no gol do Janízaros.
A partir de então, o Janízaros cresceu no jogo e um petardo desferido pelo
centroavante Florizel derrubou a casa do Flamengo. A torcida ainda
comemorava quando Florizel marca o segundo gol, que valeu como uma ducha
fria nos flamenguistas. No segundo tempo o Janízaros se impõe em campo e
esmorece a turma rubro-negra.
A partir daí foi uma sequência de cinco gols de Florizel para completar a “conta
do mentiroso”, embora todos os 7 gols tenha sido de verdade. E as novas
contrações do Janízaros – Zé Hamilton, Santinho, Albérico, Fernando Euvaldo e
o goleiro Luiz Carlos, que sequer entrou na partida – mostraram que não
chegaram para brincar. Já no Flamengo estrearam o ponteiro Valter, o zagueiro
Petito e o meia Arevaldo, que tomaram ciência da responsabilidade.
O Janízaros jogou com Toinho, Zé Hamilton, Alfredo e Almir; Aranha (Albérico)
e Santinho; Fernando Euvaldo, Rochinha, Florizel, Xavier (Vitório) e Evaristo. Já
o Flamengo atuou com Asclepíades (Zé Carlos), Péricles, Petito e Nélson; Odiel
e Abiezer; Valter (Carrapeta), Arevaldo, Zequinha Carmo, Tombinho e Codinho.
A renda somou 15 mil Cruzeiros.
Mas não pensem que as retumbantes goleadas pararam por ai. Em 1972, o
Itabuna, já profissional, jogou uma partida amistosa com o Selecionado de
Itajuípe, que ficou na história. Embora o resultado final tenha sido 9X2, os
torcedores e a imprensa passaram a nomear o jogador Bel como “Seu 7 da
Lira”, numa referência às reportagens da revista Cruzeiro sobre esse
personagem da vida carioca.
Explicando melhor, é que 7 dos 9 gols do Itabuna foram marcados por um só
jogador, o meio campista Bel (Abelardo Brandão Moreira, de origem
itajuipense). Para os que não conheceram, a cidade de Itajuípe era pródiga em
exportar bons jogadores amadores, mas deram azar de jogar contra o Itabuna
profissional, cheio de craques e técnicas táticas e físicas. Depois, só a
espetacular comemoração no Bar de Carcará.
Então, daqui pra frente é bom que fique registrada a superioridade de Itabuna
sobre a Seleção Brasileira, e que o feito alemão em solo mineiro não campeie
como sendo um fato histórico único neste Brasil brasileiro. Nada mais justo do
que registrar essas duas partidas como consagrados e reconhecidos atos
memoráveis do futebol itabunense.
*Radialista, jornalista e Advogado.





