Bahia concentra nove das 20 cidades mais violentas do país e os números revelam a crise da segurança pública
O novo Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostrou recentemente que nove das 20 cidades mais violentas do país estão em território baiano — um retrato que combina polos industriais, cidades de médio porte no interior e destinos turísticos do litoral. Entre elas estão Jequié, Juazeiro, Camaçari, Simões Filho, Feira de Santana, Porto Seguro, Santo Antônio de Jesus, Ilhéus e Salvador. O problema se acentua com os tiroteios em Salvador que se acentuaram nos últimos dias e com a morte de três mulheres em uma praia de Ilhéus, no último final de semana.
Os números ajudam a entender por que o Nordeste reúne 16 das 20 cidades mais violentas do Brasil e por que a Bahia, sozinha, coloca cinco entre as dez primeiras posições do ranking municipal. Em diferentes edições e recortes, Jequié e Juazeiro aparecem com taxas elevadas, ao lado de Camaçari e Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador; Feira de Santana, entroncamento rodoviário estratégico; além de Ilhéus e Porto Seguro, no litoral sul e extremo sul.
Embora o anuário aponte queda nacional de 5,4% nas mortes violentas intencionais em relação ao ano anterior, o recuo não chega por igual. Nas cidades baianas listadas, a violência se mantém alta e concentrada, o que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública relaciona a disputas entre facções por rotas e pontos do tráfico, além de mercados ilícitos associados (armas, receptação, grilagem). O efeito prático é um ciclo de homicídios por vingança, intimidação territorial e execuções, que se espalha de periferias urbanas a corredores logísticos no interior.
As rodovias federais que cruzam o estado, portos e zonas turísticas criam oportunidades para trânsito de drogas, armas e dinheiro vivo — e acirram a disputa entre grupos criminosos que se fortalecem com armamento pesado. Por outro lado, cidades como Jequié, Feira e Juazeiro ganharam peso econômico e demográfico, mas sem expansão proporcional de políticas sociais e de policiamento orientado por dados e sem um combate efetivo à criminalida. Na RMS, Salvador, Camaçari e Simões Filho carregam histórico industrial e bolsões de vulnerabilidade, virando teatros de confronto entre facções.
O fato é que a Bahia concentra hoje um núcleo duro da violência urbana brasileira. O estado terá de combinar cirurgia policial com políticas sociais em escala para inverter um ranking que, há anos, teima em colocar cidades baianas entre as mais perigosas do país.
—


