COMO UMA FÊNIX, ITABUNA SABERÁ RENASCER DAS CINZAS
De cara, quero me desculpar por escrever sobre um tema que não tenho o menor
conhecimento científico, daí espero ganhar o perdão antecipado. É que sou curioso e não
posso deixar passar uma oportunidade como essa, na qual a palavra crise é a mais ouvida,
rivalizando apenas com a palavra da moda: pandemia do Coronavírus, transformada em
sucesso internacional.
Não represento médicos, por não ser formado em medicina; não represento os biólogos,
por razões óbvias, mas para facilitar a compreensão, represento a mim mesmo pela
quantidade de anos e experiência acumulada. Prometo não dissecar o vírus, pois nem o
ex-ministro Mandeta também o sabia, mas preciso falar de vida, as que ficaram no meio
do caminho e as que teimam em seguir.
Por ser itabunense por adoção – com Título de Cidadão pregado na parede –, tomo a
devida licença para as devidas comparações, mesmo sem ter vivido a famigerada Gripe
Espanhola ou outras tais, pois ainda não fazia parte deste mundo. No máximo,
acompanhava – por ouvir dizer e, alguns casos conhecer – alguns personagens que
morreram de doenças à época incuráveis. Velório, muito choro, enterro e vida que segue.
Lembro-me bem, entretanto, das grandes enchentes, que matavam muitas pessoas e
deixavam outras tantas desabrigadas – eram os sem casa, sem mobiliário, sem
alimentação. Chamávamos de desabrigados e eram acomodados, ou acolhidos, melhor
dizendo, em escolas e demais prédios públicos, até que as águas baixassem e a prefeitura
providenciasse novas casas ou terrenos para que trocassem de endereço.
Uma grande comoção! Como tal, a providencial solidariedade se fazia presente em
doações das mais diversas, entregues pelos próprios doadores, em visitas engrossadas
pelos curiosos. Assim que o rio Cachoeira voltava ao normal, os pescadores voltavam a
pescar e vender os peixes, camarões e pitus, o comércio às margens do rio abria as
portas, os que se mudaram voltavam às casas que não tinham sido levadas.
Era a hora da reconstrução! E o itabunense – nato ou por adoção – esquecia rapidamente
os problemas sofridos e voltava ao trabalho com mais afinco. Para uns, teriam sido os
castigos divinos, pois Deus já não suportava a ganância e a luxúria, além de outros tipos
de pecados cometidos; outros criticavam a teimosia do homem em querer ser maior que
Deus; outros poucos assentiam que se tratava apenas de fenômenos naturais.
Em uma semana – no mais tardar 15 dias – o estoque do comércio reposto, os bancos
funcionando, o comércio de cacau e a pecuária a pleno vapor e Itabuna voltava a ser a
capital regional do Sul da Bahia. Hoje o rio Cachoeira não representa mais esse perigo
pela diminuição das águas que passam no seu leito, engrossado pelos esgotos in natura
despejados pelas cidades onde banha.
Mas como miséria pouca é bobagem, atualmente Itabuna sofre de outro mal maior,
conhecido como pandemia do Coronavírus, na sua última versão: o Covid-19, que tira as
pessoas de suas casas e os transferem para os hospitais e os cemitérios. Se antes as
forças da natureza fechava as portas das atividades comerciais com base na área
geográfica de sua influência, agora são os governantes numa só canetada.
Se antes a volúpia das águas era quem decidia o prazo, hoje são as leis, decretos e
portarias os sentenciadores da permissão a quem deve trabalhar. Pelo que ouvi dizer, o
Covid-19 não tem predileção pelo tipo de atividade tal e qual consta nas definições dos
códigos tributários, por não ter condições de discernir uma loja de tecidos de um
supermercado, um bar e restaurante de um banco, muito menos um escritório de
contabilidade de uma farmácia, ou de um pipoqueiro de um posto de combustível.
Por certo a ciência médica nunca ateve seus estudos sobre os efeitos do isolamento de
quem tem perfeitas condições de trabalhar, dos que passam fome pelo simples fato de
estar proibido de exercer seu labor diário. A ciência também não demonstrou em quais
horários o vírus prefere circular. Deveria, portanto, vir a público e esclarecer até onde
pesquisou e conseguiu resultados positivos.
Itabuna chora, mas não se queda. O itabunense forjado na imensa nação grapiúna,
mesmo inconformado, sabe que é o momento de recolher os cacos, mas sem entregar os
pontos, até que cheguem os tempos de bonança. O itabunense sempre soube como se
soerguer e não será agora que fugirá à luta de manter Itabuna no mais alto patamar
político, econômico e social do cenário baiano, por saber nadar contra a correnteza.
Como na mitologia, se antes Itabuna renascia das águas, como uma fênix renascerá das
cinzas.
Walmir Rosário;Radialista, jornalista e advogado



