OS PÉSSIMOS EXEMPLOS DOS POLÍTICOS, COMO SEMPRE (Walmir Rosário)
Nesses tempos ruins de infecção pelo Covid-19 a sociedade brasileira sem sendo
questionada e estudada como nunca antes, principalmente em relação à solidariedade e
torcida ideológica do vírus e de medicamentos. No centro da questão, como não poderia
deixar de ser, estão os políticos – com e sem mandato – a imprensa e a chamada
sociedade em geral.
Não sei se minha comparação é por demais absurda, mas é a que me vem à cabeça no
momento, mas vou equiparar a plural sociedade brasileira como sendo a Arca de Noé, com
representação de todos os bichos – o homem inclusive. Fosse hoje, passado o dilúvio, a
arca aportaria sem algum sobrevivente e uma coleção de cadáveres de fazer brilhar os
olhos de um pesquisador da biologia, sociologia, ou qualquer formação terminada em gia.
Não possuo tendências terroristas, apenas e com pesar observo as guerras fratricidas
causadas pela divergência ideológica. Pasmem os senhores, na propagação do vírus o pau
que bate em Chico é o mesmo que dá em Francisco, pois qualquer um poderá ser
contaminado. Infectado, deveríamos torcer pela cura, vinda dos medicamentos existentes
e que melhor possam debelar a doença.
Só que não. Isso me faz lembrar do saudoso e competente técnico Telé Santana na
direção da Seleção Brasileira de Futebol. Todos reconheciam que foram escalados os
melhores jogadores e cada um dos brasileiros queriam que jogassem os 11 do seu time ou
sua preferência. Dadas os devidos descontos, pelo naquela época as brigas eram apenas
discussões em mesas de bar e nos programas humorísticos: “Bota ponta, Telé!”.
Sim, mas os políticos, que foram eleitos por nós para nos representar dignamente, como
entram nessa singela história? Misturaram as bolas e jogam em times diferentes daqueles
que estavam quando os escolhemos. Trocaram de time, rasgaram as camisas que diziam
se orgulhar. Os 513 deputados e 81 senadores não querem mais parlamentar e sim
executar, criando uma nova torre de Babel.
A Constituição da República, a chamada Carta Cidadã, somente é consultada quando
favorece a determinado grupo e as invasões de competência tornaram fatos corriqueiros,
iguais as partidas de futebol de várzea sem a presença do árbitro. Não se marca
impedimento, não se respeita as quatro linhas, é permitido gol de mão e falta grave só
quando o jogador atingido é diagnosticado – no mínimo – com morte cerebral.
Se aqui ainda estivesse, Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo do jornalista Sérgio Porto)
promoveria um Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá) por dia, com a devida
abertura sonora com a música “samba do crioulo doido”, com o perdão dos politicamente
corretos.
Solidariedade. Esta sempre é uma palavra na ponta da língua dos políticos quando têm em
frente um microfone e uma câmera de TV, mas de difícil operacionalização, quem sabe
causada pelas atribulações do dia a dia que levam ao esquecimento. É a mesma situação
do “faça o que mando e não o que faço”, dito pelos poderosos com o ar de sabedoria e a
empáfia que lhe é peculiar.
Basta uma simples análise – mesmo perfunctória – nos mapas com a incidência de
infecção do Covid-19 para verificarmos se as ações e medidas tomadas pelos governos
estão corretas. Mas não faz, se não fizemos o que deveríamos fazer, daqui pra frente
poderemos elaborar programas e projetos inteligentes para dar um freio de arrumação no
vírus. Quem morreu, morreu, agora é vida que se segue. Basta ficar em casa.
Ficar em casa, eis o grande dilema! Se o vírus é “democrático” e não escolhe quem
infeccionar, a condição do infectado em sua residência não tem nada a ver com a tão
propagada democracia. É de uma distância abissal a situação financeira do que ordena a
imobilidade para oprimido que tenta sair às ruas em busca de trabalho ou de uma ajuda
qualquer para remediar a fome de sua família.
Os que mandam prender um qualquer por falta de máscara é o mesmo que destila sua
raiva nos microfones sem esse equipamento de segurança, mesmo sem cumprir a
distância regulamentar estipulada pelo Ministério da Saúde. Os que proíbem a circulação
são os mesmos que promovem festas noturnas em seus condomínios de luxo e que não
respeitam as inúmeras queixas registradas nas delegacias de polícia.
Os que desconhecem as dificuldades do povo mais sofrido, agravadas com a terrível crise,
compram equipamentos e medicamentos superfaturados e não tiveram o cuidado de agir
na hora certa. Posaram de líder na campanha eleitoral prometendo resolver todos os
problemas e, de quebra beijavam os mais velhos, tomavam nos braços as criancinhas.
Tudo era o mais absurdo lero.
Como dizia o velho sanfoneiro Lua na música Vozes da Seca: “Mas doutô uma esmola a
um homem qui é são/Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”.
Seca de líderes.
Foto;Divulgação
Walmir Rosário;Radialista, jornalista e advogado



