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O CONHECIMENTO, SUA DIFUSÃO NA SOCIEDADE E A UESC

O CONHECIMENTO, SUA DIFUSÃO NA SOCIEDADE E A UESC

Por Walmir Rosário*
Agora em Itabuna, estou mais perto da Universidade Estadual de Santa Cruz
(Uesc), respirando os ares da sabedoria emanados daquele centro de
conhecimento, que vem acumulando troféus e títulos de excelência. Felizmente
a Uesc tomou um caminho bem diferente de outras instituições de ensino
superior, que descem ladeira abaixo neste Brasil contemporâneo.
De pronto, dou pleno conhecimento público que não estou alisando os bancos
de nenhum curso superior, o que me faria bem, mas tão somente bisbilhotando
o Centro de Documentação (Cedoc). Quase todos os dias, munido de máscara
contra a poeira e ácaros, e luvas para me livrar das velhas tintas gráficas, estou
espreitando, conferindo as páginas dos jornais antigos de Ilhéus e Itabuna.
São edições incompletas em determinados anos, mas permite pesquisar o que
acontecia em épocas passadas. As minhas visitas seriam apenas (não são mais)
para rever as glórias do futebol de Itabuna, por meio dos seus times e da
eterna vencedora Seleção de Itabuna, assuntos para futuros livros, com a
missão de informar aos que não tiveram a felicidade de viver àquela época.
Com a mão nas páginas, relembro fatos tantos vividos pela sociedade pretérita
em Itabuna, Ilhéus e região sobre a economia, as agruras sofridas pela
cacauicultura, bem como os bons tempos em que a tonelada de cacau era
vendida nas bolsas de Nova Iorque e Londres a preços compensadores, coisa
de US$ 4,5 mil até US$ 5 mil, tudo contado em dólares.
A sociedade mantinha um padrão de vida bem confortável e Itabuna se dava ao
luxo de tocar os discos em LPs e compactos (poucos sabem o que é isso) em
lançamentos simultâneos com o Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Mas
como nem tudo são flores, os protestos e reclamações apareciam estampados
nas páginas de nossos jornais sem a menor cerimônia.
O que acontecia na política ganhava destaque, inclusive os aumentos de
impostos que pesavam sobre o cacau, figurinha carimbada nos tempos ruins, a
salvação da lavoura do governo do estado para pagar os gastos feitos em
outras regiões. A conta não era nossa, mas o governador jurava que deveria
ser paga por todos. E como o cacau faturava, sentava-se à cabeceira da mesa.
E a Uesc vem assumindo uma responsabilidade com a sociedade sul-baiana ao
guardar, manter intacto, catalogar e disponibilizar toda a produção dos meios
de comunicação de épocas passadas, mantendo viva a história do povo
grapiúna. Além de jornais, a Uesc também registra em seu acervo a história do
Poder Judiciário em Ilhéus e milhares de documentos históricos importantes. Se
tornou a guardiã da nossa história.

No Centro de Documentação estão disponíveis, por exemplo, os jornais Diário
da Tarde, de Ilhéus; o Tabu, de Canavieiras; o Diário de Itabuna e o Agora, de
Itabuna, este através de um esforço recíproco da sociedade. E o Reitor
Alessandro Fernandes de Santana acolheu o pleito, sensível que é aos reclames
da sociedade, sobretudo do que diz respeito às questões sociais, sobretudo à
educação.
Sei que a Uesc muito ainda tem que caminhar, mas os louros obtidos nesse
trajeto é um sinal bastante positivo, o que nos leva a crer e vislumbrar uma
universidade “coladinha” com a sociedade. A Uesc pode e deve ser o carro-
chefe do pensamento regional, com poderes para influir na renovação da
tecnologia e nas mudanças que levem ao desenvolvimento.
O Magnífico Reitor Alessandro Fernandes tem ao seu lado cabeças pensantes
capazes de elaborar e tocar projetos em todas as áreas do conhecimento,
notadamente na comunicação. Se a Uesc tem gente à disposição, também
possui prédios herdados do Instituto de Cacau da Bahia (ICB) que podem
abrigar esses novos serviços à sociedade.
Quem sabe, todo esse acervo de comunicação poderá ser reunido num grande
projeto disponibilizado à sociedade após a digitalização, tratamento gráfico com
o que existe de mais moderno na informática. De casa, do escritório, aqui no
Sul da Bahia, Estados Unidos ou Japão estará disponível em apenas alguns
cliques. Afinal, uma universidade é um centro de sabedoria com a missão de
tornar as pessoas mais inteligentes. E a hora é agora.

*Radialista, jornalista e advogado.

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