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RAMON FERNANDES ESTREIA NO ROMANCE COM PEDRA BRANCA – Por Walmir Rosário*

RAMON FERNANDES ESTREIA NO ROMANCE COM PEDRA BRANCA – Por Walmir Rosário*

Em apenas duas sentadas – com muito fôlego – li o novíssimo romance “Pedra
Branca, sangue e poder”, lançado no último sábado (10-08-24), no restaurante
Porto dos Milagres, em Canavieiras, por Ramon Fernandes. O livro marca a
estreia do autor na literatura, com uma obra bem engendrada e que contribui
para o enriquecimento da intelectualidade regional.
A história é ambientada na fictícia Pedra Branca, pequena cidade interiorana
fincada nas barrancas do rio Jequitinhonha, bem na divisa dos estados da Bahia
e Minas Gerais. Como todo o romance que busca prender o leitor, já no início
nos apresenta um personagem que morre cedo, mas deixa um imenso legado.
A história é bem fiel ao estilo de vida interiorano, com fortes raízes fincadas na
família campestre e na pachorra das pequenas cidades, com a predominância
dos seus personagens marcantes. E todos estão bem situados, cada um com
seus destaques: o padre, os coronéis, os comerciantes, os políticos, o delegado,
a dona do bordel, ou casa de conveniência, como queiram.
Ramon Fernandes é formado em Filosofia pela Universidade Estadual de Santa
Cruz (Uesc), professor na rede particular de ensino, servidor público municipal
da Prefeitura de Canavieiras e ex-secretário de Cultura. Embora com vida
fincada em Canavieiras, conhece e viveu em outras cidades regionais, algumas
bastante parecidas como a descrita no romance.
Daí é que após a leitura de Pedra Branca, sangue e poder tomei a liberdade e
indiscrição ao perguntar ao autor se o livro era oriundo de uma história
verdadeira e por ele romanceada. Respondeu que era apenas fruto de sua
imaginação – criativa, digo eu, diante do bom argumento, desenvolvimento e
ambientação.
Os personagens com vida breve na história saem com dignidade e os longevos
sempre aparecem em bons momentos. Não sei se é redundante observar que
nas cidades pequenas – no estilo Pedra Branca – as ocorrências são sempre
monótonas, contrastando com os fuxicos e brigas normalmente resolvidas entre
as partes, no estilo mais agressivo.
As diferenças menores são resolvidas por meio dos conselhos do delegado, que
a todos conhece e há muito se tornou amigo. Mas só que mora ou morou em
pequenas cidades interioranas, notadamente nas divisas de estados, conhecem
de perto as rusgas entre as pessoas influentes e seus apaniguados, que vão
desde as questões de terras e as políticas.
E em Pedra Branca as guerras não acontecem somente entre as diversas
famílias, mas também dentre um mesmo clã, geralmente derivadas por ciúmes,
posição social e riqueza. E essa questão está presente no romance com briga

fraticida entre coronéis, sem faltar motivação para a expropriação de terras
com o apoio dos revólveres e rifles dos jagunços.
A personalidade feminina aparece com muita distinção e força, desde a
coronela, senhora de si e que comanda com mão-de-ferro suas propriedades e
família. Com a ajuda de bons jagunços, defende seus bens contra pessoas da
própria família; resolve sua vida conjugal de uma hora pra outra após a viuvez;
ajuda seus protegidos. Uma mulher resolvida.
Também aparece com altivez e se torna personagem marcante a figura meiga
da senhora do delegado, com ares de professorinha, que assume o
protagonismo de uma hora pra outra, sem que alguém esperasse. Outra
personagem, esposa de um coronel, vítima de maus-tratos, resolve se libertar
do jugo do marido, toma uma atitude inesperada e vai viver nova relação. Esta
proibida pelas leis dos homens e de Deus.
Não poderia faltar na trama os forasteiros que chegam, encontram
oportunidades e as aproveitam. Alguns metem os pés pelas mãos, mas
conseguem se segurar devido às habilidades no relacionamento social e
político. Mas como sempre nessa vida terrena, a avareza, a inveja e soberba
promovem a própria destruição.
Como no juízo final, os personagens ganham o lugar que merecem na história,
sem atropelos, de acordo com seus procedimentos. Os maus geralmente
acabam na cadeia ou cemitério, os bons continuam distribuindo felicidade, os
menos atrevidos sem destaque. Cada qual no seu quadrado, como determina
Ramon Fernandes, com minha posterior aprovação. Recomendo.

*Radialista, jornalista e advogado.

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