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JURIMAR, PREFEITO DE ITABUNA SEM UM ÚNICO VOTO

JURIMAR, PREFEITO DE ITABUNA SEM UM ÚNICO VOTO

Jurimar, Walter Maron, Walmir Rosário e o professor
Dourado, na posse de Lopes na delegacia do Sinjorba

Por Walmir Rosário*
Nos anos 1986/87/88 eu trabalhava na Divisão de Comunicação da Ceplac, a conceituada
Dicom, que passava por uma das suas muitas crises, com o orçamento sempre
contingenciado, apesar do descobrimento da vassoura de bruxa no Sul da Bahia. Sem
recursos, reduziu o horário de expediente para meio turno, o que facilitou nosso segundo
emprego em assessorias e veículos de comunicação de Itabuna.
Eu dividia meu trabalho entre a Ceplac e a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de
Itabuna, quando fui procurado por um amigo e colega ceplaqueano, o engenheiro
agrônomo Jurimar Rebouças Dantas, para uma conversa. É que ele tinha sido convidado
pela segunda vez para assumir a secretaria municipal da Agricultura e queria informações
para decidir se aceitaria o cargo.
Nossa conversa foi bem positiva e disse que o cargo seria talhado para ele e, se não se
acostumasse com o comportamento político, voltaria à função de extensionista, sem
qualquer prejuízo. Analisou tudo com serenidade e me respondeu com sinceridade: “É, já
fui convidado para o cargo pela segunda vez, e caso não aceite, daqui pra frente não serei
convidado nem para participar de enterros”.
Tomou posse e se tornou secretário da Agricultura. Rígido no trabalho, todos os dias
conversávamos sobre a melhor maneira de agir, fazendo com que tivesse jogo de cintura.
Com isso, ganhou notoriedade como bom executivo e, em seguida, ganha nova
oportunidade com a saída do secretário da Administração, Cláudio Macedo, assumindo,
interinamente esta secretaria. E foi ficando na interinidade enquanto o prefeito Ubaldo
Dantas conversava com os grupos políticos sobre um profissional competente para
assumir a administração da prefeitura.
Nisso, Ubaldo Dantas viaja para a Alemanha a convite de um organismo internacional,
para participar de um evento com prefeitos de vários estados do Brasil. A Câmara concede
a licença para a viagem e o vice-prefeito Jairo Muniz assume, mais uma vez o cargo de
prefeito. Aproveitando a viagem à Europa, Ubaldo resolve visitar outros países vizinhos, a
exemplo da França, onde permaneceu mais dias.
Retorna a Itabuna e recebe um novo convite de evento internacional. Desta vez no
Uruguai, para debater sobre o uso da água, esgoto, saneamento básico e resíduos sólidos.
De pronto aceitou, formalizou a licença para a viagem e aí acontece o inesperado. Seu
vice-prefeito não poderia assumir, pois era candidato declarado a prefeito de Itabuna,
criando um sério imbróglio.
Não teria problema, bastava transmitir o cargo ao presidente da Câmara, o professor
Everaldo Cardoso. Quem disse? Ele era candidato a reeleição e se desculpou dizendo que
não estaria bem de saúde. Seguindo a Lei Orgânica de Itabuna, bastaria convocar o vice-
presidente da Câmara Municipal. Nova encrenca. O vereador Filemon Brandão também
candidato, apresentou um atestado de saúde e se eximiu de assumir a prefeitura.

Foi um Deus nos acuda na prefeitura e o primeiro escalão passou a analisar leis antigas e
precedentes. Dona Naomi Mangabeira e outros funcionários já tinham assumido a
prefeitura quando não existia a figura de vice-prefeito, então ventilou-se dar o cargo a
José Conrado, já de certa idade, desistiram; o secretário mais velho, Laércio Pinho Lima,
do planejamento, se encontrava em viagem.
Após tantas idas e vindas, o secretariado chega ao consenso e resolve indicar o secretário
da Administração para assumir o cargo de prefeito interino. Um simples telefonema traz
Jurimar Rebouças Dantas de volta de casa para a prefeitura. Ainda assustado com tudo
que lhe passaram, assina o livro de posse, acertam os primeiros passos e retorna para
casa. Nisso, continuamos a comemoração.
Às 7 da manhã, quando cheguei a prefeitura para pegar uns documentos, Garrinchinha, o
ascensorista, me informa: “Dr. Jurimar, o novo prefeito, já está lá no gabinete”. Chego ao
quinto andar, pego os documentos em minha sala, caminho mais uns 20 metros e abro a
porta do gabinete do prefeito. Lá estava Jurimar, atentamente conferindo documentos que
precisavam assinaturas.
Assim que me viu, abriu um largo sorriso e disse que nunca esperou assumir o cargo de
prefeito de Itabuna, até por não ser afeito às questões políticas. Lembrei-lhe quando
conversamos sobre a possibilidade de ele aceitar o cargo de secretário da Agricultura e
sua rápida ascensão, responsável por duas secretarias e agora, ainda por cima, prefeito
interino. Para não perder a embocadura, falou:
“Quando o cavalo passa selado, temos que montar, do contrário, nunca mais”.

*Radialista, jornalista e advogado

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