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ERIVALDO DE SOUZA, O GENTLEMAN DA CEPLAC

ERIVALDO DE SOUZA, O GENTLEMAN DA CEPLAC

Por Walmir Rosário*
Costumo dizer – constantemente – que as instituições somente sobreviverão se forem
maiores do que os homens que a servem – ou dela se servem –, do contrário estão
fadadas ao descrédito e ao fechamento. Por outro lado, tenho plena consciência da
importância dos homens no desempenho das instituições, desde atue como motores ao
impulsionar as ações. Ou sejam as instituições são as próprias pessoas.
Parece muito confuso e por demais burocrático esse pensamento, mas se torna simples
desde que partamos do princípio que a instituição deve transcender aos indivíduos pela
função social que exerce na sociedade. Como dizia Platão, a virtude de um objeto está no
seu bom desempenho, portanto, os homens que fazem parte da instituição devem
trabalhar pela razão direta da instituição, sua missão e objetivos.
Uma das instituições que tenho dedicado muita tinta e espaço é a Ceplac, que como tudo
na vida tem o seu tempo de utilidade, principalmente as governamentais, sujeitas à
ideologia e boa vontade dos governantes da época. Apesar das dificuldades inerentes à
administração, dirigentes e funcionários de carreira podem – e até devem – fazer a
diferença, como se criassem um ilha às avessas.
Na Ceplac chega a ser difícil nominar esses funcionários abnegados, que se destacam pela
dedicação no ambiente de trabalho, mesmo com todas as dificuldades inerentes aos
desempenho das atividades. E esse comportamento é próprio da índole de cada um.
Existem os que se fingem de “mortos”, ignorando tudo que se passa ao redor; já outros
conseguem superar todas as dificuldades para oferecer um trabalho de qualidade.
Como é impossível destacar essa legião de pessoas interessantes, tomo como
representante o funcionário Erivaldo Souza (Erí), prestes a completar 44 anos de trabalho,
com fôlego e disposição para outro tanto. Erí é um dos funcionários da linha de frente da
Ceplac e exerce suas atividades na área de relações públicas na organização de feiras,
eventos nacionais de internacionais, além do atendimento aos visitantes à sede na Bahia.
E não pode falhar no desempenho das suas atividades, já que representa a Ceplac,
durante anos a maior instituição de pesquisa, extensão e ensino profissionalizante do
sobre cacau no mundo. E Erivaldo soube aproveitar todas as oportunidades, desde a
primeira, quando em 1978, foi classificado em primeiro lugar num concurso para office
boy, exercendo o cargo com maestria.
Mas o cargo era muito pequeno para quem pretendia alçar voos mais altos e ganhar o
mundo. Cinco anos se passaram e Erí, um exemplar servidor público, acreditou que era
hora de se tornar um comissário de bordo da Varig, atendendo pessoas de todas as
nacionalidades. Para tanto, estudou inglês com afinco e se sentia seguro do futuro projeto.
Entretanto, seu pedido de demissão foi desconsiderado e uma nova oportunidade
apresentada.
Do escritório de extensão de Ilhéus, foi transferido para a sede regional, que abrigava a
direção da Bahia e Espírito Santo, e os profissionais que produziam – e ainda produzem –

conhecimento científico. Seu conhecimento de inglês tomou novo impulso ao participar de
um curso da língua de William Shakespeare, destinado às secretárias e pesquisadores. Por
merecimento, se tornou o melhor aluno do curso.
Se brilhava nas atividades profissionais e correlatas, a alma continuava pedindo novos
rumos, de preferência num avião da Varig cruzando os continentes. Mais uma vez foi
convencido pelos superiores que seu lugar era na Ceplac. O diretor do Departamento de
Extensão lhe fez nova proposta, para que escolhesse o local de sua preferência pelo
tempo necessário. E Erí aceitou.
Só que agora não pleiteou uma capital, foi prestar serviço em Lajedão, uma pequena
cidadezinha no extremo sul da Bahia, na divisa com Minas Gerais, também na área de
comunicação. Era o responsável pela operação de rádio, onde eram transmitidos os
memorandos e outros documentos entre a direção da Ceplac e o pequeno escritório. Oito
meses depois sente a necessidade do aperfeiçoamento profissional e retorna à sede.
Imediatamente ingressa no curso de Letras (com ênfase em inglês) da antiga Fespi, hoje
Uesc. Se a academia lhe dava os conhecimentos teóricos, sua nova atividade na Ceplac lhe
deu, definitivamente, régua e compasso, com a oportunidade de trabalhar com
pesquisadores da Indonésia, Tailândia, Sri Lanka, Índia, Japão, China, Camarões e Nigéria,
que estudavam a doença “mal das folhas” da seringueira.
Irrequieto, como sempre, chega a hora de Erí conhecer parte do mundo e Erivaldo requer
uma licença e vai conhecer a Suíça, Inglaterra, Itália, França e Israel, adquirindo
experiência com a população do velho continente e o oriente médio. Em seguida, retorna
ao Brasil, com bem mais conhecimento do idioma inglês, francês e até o hebraico, e passa
a receber os visitantes nacionais e internacionais.
O brilhantismo do desempenho profissional de Erí junto às pessoas o credenciou a chefiar
a área de relações públicas, planejando e organizando eventos sobre a cadeia produtiva
do cacau, no âmbito nacional e internacional. Essa é parte da trajetória de um homem,
um profissional, que não pensa em aposentadoria e soube pavimentar o seu caminho com
dedicação inteligência e elegância no trato com as pessoas. Um gentleman!

*Radialista, jornalista e advogado

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