Quando há a prevalência da loucura e da insanidade
A Organização das Nações Unidas estima que em três semanas de guerra, chega a mais de três milhões, uma média de 150 mil por dia, o número de pessoas que deixaram a Ucrânia após a invasão do exército russo, fugindo dos conflitos e bombardeios que também mataram milhares de civis e cerca de uma centena de crianças, gerando um drama humanitário e protestos em todo o mundo.
A própria Agência de Refugiados da ONU (Acnur) trabalha com a projeção de atender a quatro milhões de refugiados, o que representa 10% da população da Ucrânia, um número de por certo será extrapolado, com a continua chegada e migrantes ucranianos deslocados para diversos países do continente europeu, passando pelas fronteiras da Polônia, da Hungria, Eslováquia, Romênia e Moldávia ou mesmo da própria Rússia.
O fato é que numa guerra a maior vítima é a verdade. Na Rússia o conflito é retratado pela imprensa controlada pelo estado como uma operação militar, mas o que surpreendeu a Putin e seus assessores foi a resistência do povo e do exército ucraniano, tirando de combate aviões, helicópteros e veículos militares, mesmo enfrentando uma força de ocupação num conflito assimétrico e que seria teoricamente favorável aos russos, ficando a expectativa de paz nas negociações bilaterais de um acordo ainda incerto.
Outro fato importante no conflito tem a sido a morte de três jornalistas, entre os quais o câmera da Fox News Pierre Zakrzewski e uma produtora de televisão alvejados por militares russos, que também destruíram hospitais, escolas, apartamentos e alvos militares de importância no país ocupado, que terá um retrocesso de 18 anos na sua economia, e que poderá ter depois do conflito 90% da população em risco de pobreza e de miséria absoluta.
O fato é que a guerra não tem sentido lógico e nem racional por escapar fora dos caminhos racionais da diplomacia e negociação, levando o mundo à beira de uma terceira guerra mundial e de consequências por certo imprevisíveis. Para Freud que conheceu os horrores do primeiro conflito mundial e morreu no ano do início da segundo, em 1939, que resultou em mais de 60milhões de mortes: “a guerra nada mais é do que o fracasso conjunto, humanitário, estético e civilizatório”. Neste contexto, o que prevalece jamais é a força do indivíduo, mas sim a violência generalizada, seria evidentemente a prevalência da morte sobre a vida, que acaba perdendo o seu significado e a dimensão maior em consequência da banalização do mal. (Kleber Torres)
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