Uma viagem entre o labirinto & o caos
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O Ulisses: o Labirinto & o Caos, de Kleber Torres, lançado pela Amazon, reúne uma série de artigos, resenhas críticas e ensaios sobre a obra de James Joyce, um escritor que foi reconhecido como genial, experimentalista e também despertou críticas e reprovações. Ele foi apontado por muitos como obsceno e louco, sendo considerado pelos ingleses como excêntrico irlandês, uma vez que, segundo o seu maior biógrafo Richard Ellmann, este é “um epíteto que, levando-se em conta a variedade de literatura produzida pelos irlandeses”, parece perigosamente inglês. O livro também coincide com os festejos agora em 2022 do centenário de Ulisses, hoje um clássico e uma referência definitiva na literatura universal. O artigo Algumas ideias por trás da construção de uma obra em progresso mostra James Joyce como autor de Música de Câmera – uma obra pálida com 36 poemas e Giacomo Joyce (poesia), Dublinenses ( Já Uma teoria estética para compreensão da obra de James Joyce procura apontar uma chave para a compreensão da obra do escritor irlandês e que foi deixada de propósito pelo escritor na quinta parte do Retrato de um Artista Quando Jovem, uma espécie romance autobiográfico, em que propõe e elaboração de uma teoria estética aplicável no campo da arte e da própria vida. Para Joyce, o objetivo do artista é criar a beleza, mas o que seria esta beleza é uma outra questão, valendo lembrar que Santo Agostinho dizia que chama-se de belo o que a vista agrada. O autor de uma obra em progresso é também citado no ensaio O garimpeiro das insignificâncias em busca da iluminação mostrando a religião como um importante ponto de referência na vida e na obra do escritor James Augustine Aloysius Joyce, ex-aluno do Clongowes Wood College, mantido pelos padres jesuítas. Esta experiência religiosa se refletiu nas suas epifanias, consideradas o ponto central da sua concepção artística e que emerge de forma enfática no conjunto de toda a sua revolucionária produção literária. As formas de penetrar na leitura e compreensão de Ulisses tem como marco teórico o ensaio comparativo de “Ulisses” e Suas Traduções: Um Estudo de Avaliação Comparada elaborado por Débora Landsberg Gelander Coelho ainda quando aluna do Departamento de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. O trabalho avalia as duas traduções de Ulisses de Antônio Houaiss (1966) e Bernardina Pinheiro (2005), mas não inclui uma terceira tradução de Caetano Galindo (2012), publicada após a conclusão do estudo. O artigo Um homem que acreditava na palavra e na busca de Deus, destaca o rompimento de James Joyce com a Igreja Católica, a quem chamava copeira da cristandade, mas a doutrinação religiosa pela mãe e pelos jesuítas foi tão forte, que a sua influência emerge de forma plena no conjunto da sua obra literária. A religião aparece como pano de fundo até de paródias de preces e jaculatórias ou até uma espécie de sacramento, para quem acreditava na arte da palavra, como também no Pai, no Filho, no Espírito Santo e até em Jack MaCarthy. Para Kleber Torres, além de adorar o herói homérico Odisseu pela sua astúcia e capacidade de invenção no enfrentamento dos problemas em suas aventuras entre sereias, bruxas, ciclopes, monstros, ninfas, lotófagos, gigantes ou nos confrontos os mais diversos, James Joyce consideravaUlisses, num pedestal mais elevado que outros grandes personagens da literatura universal, a exemplo de Hamlet, de William Shakespeare; Dom Quixote, de Miguel de Cervantes; Raskolnikov , de Fiódor Dostoiévski ou Fausto, de Johann Wolfgang von Goethe. Este é o tema do ensaio A engenharia mágica na construção de um anti-herói moldado pela astúcia e invenção. Uma série de processos e censura marcou o lançamento de Ulisses nos Estados Unidos, Inglaterra e outros países. Este é o assunto do ensaio Uma obra polêmica que ampliou o debate sobre pornografia e erotismo, pois UIisses foi considerado um romance obsceno para os padrões morais da época do seu lançamento, desde a sua publicação como folhetim seriado na revista The Little Review, de Nova York, dois anos antes do lançamento definitivo do livro, que teve o mérito histórico de ampliar o debate estético sobre a diferença entre a pornografia e o erotismo com os seus diferenciados componentes artísticos. O anexo de Ulisses : O Labirinto e o Caos, incorpora um ensaio sobre A Obra Aberta e a estética do caos, que parte do princípio de que o discurso aberto é típico da arte e da arte de vanguarda em particular, o que se aplica à obra de James Joyce. O livro a Obra Aberta, escrito em 1962, por Umberto Eco tem sido objeto de uma série de reedições e atualizações, por considerar que o novo discurso é acima de tudo ambíguo, pois não tende a nos definir a realidade de modo unívoco, definitivo e acabado, nos colocando diante de uma situação de estranhamento e nos deixando na grande área sem pai e sem mãe. O conjunto de ensaios e artigos reunidos em Ulisses : O Labirinto & o Caos permite ao leitor conhecer uma parte importante da obra de James Joyce e compreender o seu complexo criativo associado a uma sólida base cultural, o que é possível para quem teve uma formação erudita e era um poliglota preocupado com a questão estética e com a importância fundamental da palavra, com seus sons, ritmo e significados. Joyce considerava que os erros são portas da descoberta e que existem três coisas necessárias à beleza: a integridade, a claridade e a harmonia, um dos princípios defendidos por Santo Tomás de Aquino. Ele também acreditava na essência e na magia daquela palavra sabida de todos os homens, coisa de quem busca o sentido único e a perfeição na vida ou no mundo encantado da arte. –
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