Abolição Cyro de Mattos
Na zoeira do terreiro
batucam que batucam
tambores sem cambão.
Trepidam nesses punhos
o suor, a lágrima, o sangue
nos rastros do negro fujão.
Todos batem nesse tambor,
pode até não ser de fato
a tão esperada abolição.
Mas é o começo duma hora
que se faz tão grandiosa
como o verde na amplidão.
África agora é uma só voz
na esperança das manhãs
sem o ferro do vilão.


