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O EXEMPLO DE GENEROSIDADE SOCIAL QUE VEM DA PADARIA : Walmir Rosário

O EXEMPLO DE GENEROSIDADE SOCIAL QUE VEM DA PADARIA : Walmir Rosário

Na semana passada, em meio à avalanche de más notícias que baixa nossa imunidade
social, uma subvertia a ordem das demais e se tornou um bom exemplo para ser
lembrado e divulgado com a generosidade que merecia. Simples, mas eficaz, a Padaria
Santa Fé, no bairro Conceição, em Itabuna, colocou pães em sacos plásticos numa
prateleira exterior com a seguinte informação: “Se acabou seu dinheiro e está sem
trabalhar, favor pegar um desses pacotes de pães!”
Uma medida simples, porém eficaz para prestar a solidariedade aos que não têm como
abastecer sua casa de alimentos. A generosidade chega em forma de pão, um dos
alimentos mais antigos e significativos na vida de qualquer pessoa, com várias passagens
na Bíblia Sagrada, a exemplo do milagre da multiplicação dos pães, realizado por Jesus
Cristo para alimentar seus seguidores.
O pão – de maneira geral – é o primeiro alimento que qualquer pessoa tem nas primeiras
horas da manhã para se alimentar e estar pronto para enfrentar o trabalho. Sem ele, a
barriga chora e o cérebro humano não consegue se desvencilhar dos constantes apelos da
necessidade de satisfazer a fome. Que digam melhor os que já passaram por essa
necessidade…
E esse gesto de generosidade dos proprietários da Padaria Santa Fé chega na forma
material, espiritual, e reciprocidade. Material, por matar a fome momentânea de quem não
se encontra com poder aquisitivo para adquiri-lo, por ter perdido o emprego, exercer seu
trabalho individual ou outros malefícios causados pelo Coronavírus; espiritual, por
representar um ato de vontade em ajudar o próximo, nesses tempos de individualismo.
E o terceiro – de reciprocidade –, por dar de volta à comunidade em que está inserida há
mais de 80 anos e que sustenta o seu negócio na relação comerciante-consumidor por
toda uma vida. A simples e nem tão onerosa ação do advogado e comerciante José
Roberto (Tinho) Vilas-Boas e sua família deverá servir de exemplo à sociedade para que
atos como esse se multipliquem em benefício dos necessitados.
O gesto de Tinho, poderia ficar restrito ao benfeitor e os beneficiários não fosse a
curiosidade do jornalista Domingos Matos, morador do bairro e cliente da padaria em
publicar a notícia do site O Trombone. O fato correu o mundo pela internet com a mesma
rapidez que o Coronavírus na forma do Covid-19, apenas com os interesses divergentes:
enquanto o vírus prejudica, mata, o gesto de Tinho alimenta o corpo e a alma.
E de fato não ficou restrito à padaria, pois outros clientes também começaram a dividir o
gesto de nobreza, adquirindo outros produtos como o leite, biscoitos, dentre outros para
complementar o café dos que necessitavam. E essa corrente de doação se transformou
campanha – mesmo pequena – que conseguiu alcançar a sua finalidade, doando aos
necessitados, sem alardes, filas para chamar a atenção, sem releases para ressaltar a
“bondade” do político que usa o dinheiro público como se fosse seu.

Pelo que me recordo, a Padaria Santa Fé – com seus mais de 80 anos de fundada e
funcionando no mesmo local – não é apenas uma dessas empresas em que não se
conhece o dono, às vezes morador em outro país. Pelo contrário, desde os tempos em que
Florisvaldo Vilas-Boas fundou a padaria colocou seus filhos para trabalhar, integrando-os à
comunidade do bairro Conceição, que até hoje fazem parte.
Em conversa com o irmão Romário Brito Vasconcelos – participante ativo do trabalho
missionário espírita –, tomo conhecimento que nas campanhas realizadas em benefício
dos mais carentes, as doações são provenientes das camadas sociais mais baixas,
financeiramente falando. Durante as campanhas – segundo a experiência de Romário – é
muito mais produtivo bater à porta do mais humilde, que divide com quem precisa.
Mas não percamos a esperança em mudanças positivas, pois mesmo sabendo que elas
não virão com abundância e de pronto, poderão chegar aos poucos, dependendo apenas
das campanhas sociais que poderão ser realizadas. Nesse caso, a parábola de que “é mais
fácil um camelo passar pelo fundo (buraco) de uma agulha do que um rico entrar no reino
do céu”, poderá ser aplicada com segurança.

Walmir Rosário

Radialista, jornalista e advogado

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