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ASSOCIAÇÃO, TIME REVERENCIADO ATÉ POR ADVERSÁRIOS

ASSOCIAÇÃO, TIME REVERENCIADO ATÉ POR ADVERSÁRIOS
Clóvis Nunes de Aquino (embaixo à direita) e familiares

Por Walmir Rosário*
A cada dia o futebol contagiava os itabunenses e crescia em bons jogadores e torcida. No
final da década de 1930, surge a equipe Associação Athletica Itabunense (AAI),
considerado o “bicho-papão” do futebol. A proposta era apresentar um futebol amador de
forma organizada, com técnica suficiente para ganhar partidas e campeonatos seguidos,
com um elenco de fazer inveja aos adversários.
E a Associação, como carinhosamente era chamada, aterrorizava os adversários,
principalmente pelo nível dos jogadores, em que titulares e reservas possuíam o mesmo
potencial. Saía um entrava o outro e o time não caia de produção. Para isso, escolhiam
uma zaga vigorosa, um meio de campo técnico e um ataque arisco, composto por
jogadores que se movimentavam muito, sempre em direção do gol adversário.
A contratação de um jogador se baseava não apenas no talento com a bola. Eles tinham
que primar pelo coletivo, fazer se respeitar dentro e fora de campo e cumprir as
determinações técnicas para manter a tática imposta pelo técnico, entre eles, Costa e
Silva. No período compreendido entre 1939 e 1946 a Associação Athletica se impôs no
futebol de Itabuna e região se tornando pentacampeão.
Certa feita, numa entrevista concedida aos jornalistas, José Adervan, Ramiro Aquino,
Antônio Lopes e Walmir Rosário, no Jornal Agora, um dos remanescentes da Associação, o
engenheiro agrônomo e produtor rural Clóvis Nunes de Aquino, lembrou sua passagem
pela equipe. E ele apresentou algumas cadernetas, nas quais registrava, fielmente, todos
os dados das partidas realizadas pela Associação.
E Clóvis Aquino era um jogador fenomenal, um centroavante com talento e vigor
suficiente para marcar os gols nas vitórias da Associação. Os seus predicados
futebolísticos foram descobertos quando ainda estudante de agronomia na conceituada
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba (SP). Mesmo assim,
amargava jogar no segundo quadro da Associação e ser reserva do também craque Juca
Alfaiate.
Embora não gostasse da reserva, mostrava seu futebol ao entrar em campo, no primeiro
ou segundo quadro encantando os torcedores. E Clóvis Aquino recordava com alegria sua
participação como titular da equipe principal em 1946, ano em que disputou o
campeonato como dono da posição, o que lhe valeu o título de pentacampeão itabunense.
Tudo registrado em suas cadernetas.
E as notícias do escrete “matador” chega à capital baiana e a diretoria dos times de
Salvador se interessam em excursionar no Sul da Bahia, notadamente para jogar contra a
famosa Associação Athletica Itabunense. No campo da Desportiva jogavam de igual para
igual, e na maioria das vezes a Associação mostrava o seu magistral futebol, ganhando as
partidas, sem se importar com os adversários.
Mais experta foi a Associação Desportiva Guarany, que veio ver de perto os propalados
craques de Itabuna e resolveu levar o time inteiro para Salvador. Dos titulares, apenas

Juca Alfaiate não aceitou a proposta e continuou na Associação. Mesmo assim, o Guarany
contratou o segundo reserva de Juca, Elísio Peito de Pomba. Pela primeira vez, a equipe
do Guarany se sagrou campeã baiana em 1946, único de sua história.
Alguns torcedores da Associação creditam o declínio da Associação à perda dos jogadores
contratados pelo Guarany, a exemplo de Tombinha, Nivaldino, Amaral, Bolívar, Bacamarte,
Quiba, Elísio Peito de Pomba, Elvécio, Tuta, Mangabeira, Juca e Zezé, sendo que estes três
últimos se transferiram para o Flamengo local. Elísio Peito de Pomba foi o artilheiro do
Guarany com 12 gols marcados no campeonato.
A Associação Athletica Itabunense possui uma história gloriosa, o que é inegável até pelos
adversários. Se chegava a notícia de um grande jogador, a diretoria não media esforços
para contratá-lo e assim formou a equipe mais temida do interior da Bahia. De início, um
time de elite, no qual só jogavam atletas brancos; com o passar do tempo, passaram a
aceitar pessoas de cor negra, sendo o primeiro deles, o zagueiro Ruído, de Jequié.
Nas cadernetas de Clóvis Aquino estão anotados jogadores famosos da Associação
Athletica Itabunense (AAI) como Balancê, Niraldo, Mota e Victório na posição de goleiros,
Bolivar, Álvaro, Bacamarte, Dircinho, na posição de zagueiros, na chamada linha
intermediária Amaral, Mangabeira, Zecão, Helvécio e ainda os atacantes Tombinha,
Puruca, Juca, Clóvis, Nivaldino, Tuta, Zezé e Nandinho.
E após muitos anos, torcedores e adversários se mostram saudosos com o futebol
praticado pela Associação, um elenco digno de respeito e que se perpetuou na história do
esporte itabunense. Alguns remanescentes daquela época não pensam duas vezes em
escalar as equipes da Associação, com titulares e reservas, além dos gols e momentos
importante de cada partidas que jogavam.
E a Associação permanece na saudade dos itabunenses.

*Radialista, jornalista e advogado

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