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A grande vulnerabilidade das cidades brasileiras

A Grande Vulnerabilidade Das Cidades Brasileiras

Lara Montalvão Torres de Moraes

O verão de 2020 foi trágico para as cidades brasileiras, e, a cada ano que passa os problemas urbanos tornam-se cada vez mais evidentes e agravados. Cidades de São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo, entre outros estados, sofrem com frequentes enchentes e deslizamentos de terra que aparentam piora ao longo dos últimos anos custando centenas de vidas e grandes prejuízos materiais.

Considerado por muitos como uma ocorrência fatídica e por outros como algo previsível, o efeito catastrófico das chuvas tem gerado um amplo debate sobre as construções das cidades brasileiras e o que pode e deve ser feito em termos de prevenção para que não ocorram estes desastres anuais e previsíveis.

Primeiramente, é necessário entendermos que, a enchente está relacionada diretamente com o desrespeito ao ciclo hidrológicico natural e ao crescimento urbano desordenado das nossas cidades. Vale observar, que cimento e asfalto são impermeáveis, ou seja, impedem a absorção da água pelo solo dificultando o seu escoamento, e, além disso, faz com que a água percorra maiores distâncias em menor tempo gerando correntezas e ondas em ruas e avenidas.

Contudo, espaços cobertos por áreas verdes são responsáveis por absorver 90% da água das chuvas. Idealmente, as cidades necessitariam de uma média de 12m² de área verde por habitantes, o que não ocorre no caso brasileiro. São Paulo, a nossa maior metrópole, por exemplo, possui apenas 4m² por habitante, e olhe que os espaços cobertos por áreas verdes são responsáveis por absorver 90% da água da chuva, daí a importância da construção de praças e parques lineares respeitando a taxa de permeabilidade na hora da sua construção.

É evidente também que, ações individuais, como não jogar lixo nas ruas, afetam o meio urbano, porém, a resolução do problema embora envolva esta parceria com os cidadãos, está a exigir diretamente nas medidas governamentais a partir do planejamento e execução de cada obra, obedecendo o curso natural dos rios, ribeirões e nascentes de água.

A iniciativa para a melhoria das nossas cidades podem e devem sair também de grupos da população como sociedade organizada, todavia a gestão da cidade compete ao poder público e, como este é um ano de eleições, cabe refletirmos que a vulnerabilidade das cidades brasileiras está nas mãos dos nossos futuros gestores o que exige atenção para os seus projetos e propostas que não podem morrer no discurso eleitoreiro e demagógico ou no papel jogado no fundo de uma gaveta.

Lara Montalvão Torres de Morais é aluna do terceiro semestre do curso de Arquitetura e Urbanismo

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